1. KISSINGER JOGOU PELO MOBRAL – Certa manhã, ao chegar à sede do MOBRAL, pedi a minha secretária, Márcia Campos, que ligasse para Henry Kissinger em Washington. Márcia ainda ficou em dúvida se era mesmo para o Secretário de Estado norte-americano. Confirmei e minutos depois Márcia informou-me que Kissinger estava muito ocupado, na Casa Branca, em uma reunião na qual os dirigentes de Egito e Israel iniciavam um entendimento de paz. Márcia deixou recado para o Secretário retornar a ligação. Meia hora depois, telefonema de Washington. Era Dr. Ballantine, assessor de Kissinger que trabalhara no Brasil pela USAID e havia negociado comigo inúmeros convênios e contratos, quando eu dirigia o Centro Nacional de Recursos Humanos (CNRH) do IPEA/Ministério do Planejamento. Expliquei-lhe que queria a interferência de Kissinger junto à TIME WARNER, dona do New York Cosmos, que acabara de contratar Pelé, para que deixasse o craque jogar pelo Fluminense contra o Bayern de Munique no Maracanã, em partida para promover o MOBRAL. Pelé prometera a nossa Relações Públicas, a atriz Lídia Matos, que jogaria, mas na noite anterior ao episódio narrado, faltando 3 dias para o evento, alegou que o Cosmos o proibira de participar. Não encontrei alternativa além da interferência de Kissinger, admirador do futebol brasileiro e promotor da ida de Pelé para o Cosmos. Ballantine falou com seu chefe, que ligou para a TIME WARNER, explicando a importância do MOBRAL e pedindo a anuência do Cosmos. Ballantine ligou-me mais tarde, desapontado, dizendo que o Cosmos jamais impedira Pelé de jogar. Pelé contou-lhes que o pedido para não atuar havia sido de Ney Braga, então Ministro da Educação. Coisas de político, administrando o seu pequeno poder. Pelé não jogou, mas o Maracanã viveu uma noite espetacular, em 10 de junho de 1975, com quase 100 mil espectadores vibrando com a vitória da “máquina” (de Rivelino, Paulo César Caju, Félix, Toninho, Marco Antônio, Mário Sérgio, Cafuringa etc) por 1 x 0, contra o “timaço” de Beckenbauer, Gerd Muller, Sepp Meier etc. Francisco Horta, Presidente do Fluminense, assistiu ao jogo ao lado do ex-Presidente Médici (com seu radinho de pilha) e de Heleno Nunes, Presidente da CBF. Nessa partida, pela primeira vez, uma empresa – a DELFIN CADERNETA DE POUPANÇA, de Ronald Levinson, grande benemérito do MOBRAL - comprou 60 mil ingressos de futebol para distribuir aos seus clientes. E também pela primeira vez um clube brasileiro pode jogar com a propaganda de uma instituição na camisa: era o nome do MOBRAL, nas costas dos craques tricolores ! Pioneirismo e criatividade...Reveja o jogo em http://www.youtube.com/watch?v=Uu1k-KoACkY
2. LULA EMPREGA MAIS QUE FHC – A criação de 8.716.000 empregos durante o Governo Lula - com a média de quase 1.250.000 por ano - supera amplamente os resultados de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em cujos 2 mandatos na Presidência foram gerados apenas 796.000 postos de trabalho – média de 100 mil por ano. Nos 5 primeiros anos da gestão FHC houve sempre mais demissões do que admissões: o País perdeu 129.339 empregos formais em 1995; 271.298 em 1996; 35.731 em 1997; 581.753 em 1998 e 196.001 em 1999. Só em 2000 a situação se inverteu e finalmente os saldos passaram ao terreno positivo, com a criação de 657.596 empregos; em 2001 foram gerados 591.058 e em 2002 mais 762.414. O Governo FHC adotou uma série de medidas na área econômica, sem o adequado respaldo do planejamento, provocando o caos no mercado de trabalho brasileiro. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) do IBGE, de uma população ocupada de 69.628.608 trabalhadores, em 1995, passamos a 68.040.206 em 1996. Queda de 1,6 milhão de empregos em apenas um ano ! Desde FHC o Brasil mantém uma taxa de desemprego muito elevada, entre 8 e 10%, que revela problemas estruturais graves.
3. IPANEMA CRIATIVA –O após-guerra foi uma época de grande efervescência econômica, política e cultural. Ipanema e alguns outros bairros cariocas foram privilegiados naqueles anos dourados, em que a criatividade e a inovação floresceram com vigor. E quem lá morava se beneficiou muito daquele ambiente estimulante. Na zona sul – abrangendo Copacabana, Leblon, Botafogo e Laranjeiras – assim como na zona norte, da Tijuca, Grajau e adjacências, havia ótimos colégios e se podia obter uma boa formação educacional, além de estabelecer amizades e contacto permanente com outros jovens inteligentes e cultos, ansiosos por mudanças, fascinados pelo novo e pelas oportunidades que paz mundial trazia. Lembrei-me disso tudo quando assistia a um programa da SPORTV sobre os primórdios do surfe no Brasil, desenvolvido exatamente nas praias cariocas. Como era de esperar, lá pelas tantas, apareceu o pioneiro Arduino Colasanti, que deu seu lúcido depoimento, mas não disse tudo, por causa de sua modéstia. Arduino, nascido na Itália, veio para o Brasil com 11 anos e foi meu colega no Mello e Souza. Éramos da mesma série, mas de turmas diferentes. Culto, inteligente, sonhador, Arduino chegou a cursar a Escola Nacional de Engenharia mas “trancou matrícula” para dedicar-se às atividades de que gostava. Foi pioneiro do surfe, da pesca submarina e do mergulho profissional no Brasil. Por ser um galã nato, atuou em vários filmes. Ele e sua irmã Marina Colasanti, escritora renomada, moravam com o pai (Manfredo) e a tia, a grande cantora lírica italiana Gabriella Besanzoni Lage, no amplo palacete do Jardim Botânico que hoje é conhecido como Parque Lage. Mas Arduino vivia no Arpoador, ia muito a Angra dos Reis, Cabo Frio e onde houvesse um mar com ondas e peixes a desafiá-lo. Na matéria da TV apareceu também a Fernanda, dona da loja “FERNANDA DOCES”, no Barrashoping, que foi a primeira mulher a praticar surfe no Brasil e que ganhou sua prancha de madeirite do bom Arduino. Meu colega inovou no surfe e brilhou na pesca submarina, na qual representou o Brasil em dois Campeonatos Mundiais. Em 1959, ao voltar de Malta, do Campeonato Mundial de Pesca Submarina, em que o Brasil foi vice-campeão, Arduino fez escala em Paris onde eu também estava, jogando “La Petite Coupe du Monde” pela Seleção Brasileira de Voleibol. Durante três dias consecutivos fomos juntos ao Museu do Louvre, conhecer aquelas obras maravilhosas que lá estão, a consagrar o senso estético dos seres humanos. Surfe, bossa nova, futevolei, moda de praia...Criações de gente que viveu em um Rio de Janeiro glorioso... na Cidade Maravilhosa...
A teoria da localização, muito utilizada pelos empresários, permite tomar decisões sobre onde montar seu negócio, seja uma siderúrgica ou uma refinaria, uma lanchonete ou um restaurante, uma escola ou um posto de saúde. Dever-se-ia formular e explicitar, também, uma outra teoria da localização, decisiva para as pessoas: onde fixar residência, para ter uma vida feliz e plena de oportunidades...
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30 de jan. de 2010
26 de jan. de 2010
ESTATÍSTICAS VOAM INCERTAS COM MUITO VINHO
A REALIDADE DA CRIAÇÃO DE EMPREGOS NO ATUAL GOVERNO – Durante o Governo Lula, de 1/1/2003 até 31/12/2009, foram criados 8.716.082 empregos formais no Brasil. Essa é a realidade quando consultamos as estatísticas do CAGED, coletadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e publicadas no site do Ministério (http://www.mte.gov.br/). O CAGED mostra que em 2003 foram gerados 645.433 postos de trabalho; segue-se 2004, com 1.523.276; depois 2005, com 1.253.981; em 2006 foram 1.228.686; em 2007, 1.617.392; em 2008, 1.452.204, completando-se a série com a cifra de 2009, quando surgiram 995.110 postos de trabalho. Considerando que Lula prometeu criar 10 milhões de empregos, só nos seus 4 primeiros anos de mandato, verifica-se que sua atuação decepcionou nesse quesito. Daí, talvez, a insistência das fontes oficiais em divulgar cifras acima da realidade. Quem tiver curiosidade, abra o site oficial do MTE, clique em CAGED (no canto direito, ao alto) que aparecerá a criação de empregos nos últimos 14 meses. Clique a seguir em “avançar” e surgirão as estatísticas anuais, desde 2003, aqui transcritas. Mas vá rápido, antes que a página caduque... 2. AVES E GENTES – Albert Einstein veio ao Rio de Janeiro em 1925 e ficou fascinado com uma ave muito carioca. Quando visitou o Museu Nacional, Einstein fez muitas indagações ao zoólogo Alípio de Miranda Ribeiro, avô de Marisa, minha mulher, expressando seu entusiasmo pelo voo sereno da tal ave, que aproveitava as correntes ascendentes e planava por longos períodos. Einstein ainda não se confessava “flamenguista”, mas o objeto de sua admiração era o humilde urubu, cujas evoluções o visitante afirmou ter ficado a observar por muito tempo... Coisas do físico genial, vivendo em um mundo também encantado com a aviação, que apenas engatinhava. Mais feliz que Einstein, além dos urubus - que também caçam carniças aqui pela Barra da Tijuca - posso apreciar diariamente as aventuras de várias outras aves de aparência e hábitos bem mais agradáveis. Moro entre o mar e a lagoa e o espaço aéreo sobre minha casa é a rota das aves que ocupam o território delimitado pelas Ilhas Tijucas e as lagoas da Barra. A mim, fascinam-me especialmente os biguás, aqueles cor de grafite, de pescoço comprido, que voam em bandos numerosos, adotando geralmente a formação em V. Aprendi com Gabriela Machado André ( no site http://www.oeco.com.br/) que em virtude da intensa urbanização da Barra da Tijuca, em meados da década de 70, o biguá foi expulso das proximidades das águas doces, restando-lhe colonizar e reproduzir-se nas Ilhas Tijucas, a 4 km da costa do bairro. Trata-se da única ocorrência, no litoral brasileiro, de biguás aninhando em uma ilha. E mais: segundo a autora, “ao adotar a cercania marítima para aninhar, a colônia – experimental - de biguás ganhou vizinhos diferentes em tamanho e constituição física. Os tesourões, gaivotas e atobás, que também presentes nas ilhas, caçam seus alimentos no mar, mas para isso possuem no bico uma glândula que expele o excesso de salinidade do organismo. Os biguás, por manterem a fisiologia adequada para águas doces, não possuem a glândula de sal: a solução da colônia foi continuar pescando no Canal de Marapendi.” Aliás, é um espetáculo observar a caça de gaivotas e fragatas (de cauda em tesoura, por isso chamadas de tesourões). Fazem voos de observação sobre o mar, localizam os cardumes e de repente mergulham certeiras sobre as presas submersas. São como aquelas pessoas objetivas, que sabem o que querem, para o bem e para o mal, normalmente conseguindo seus intentos. Mas já notei que às vezes confundem águas marítimas e piscinas, que sobrevoam à procura de peixes, tal qual as pessoas que, mesmo objetivas, muitas vezes confundem suas metas. As garças, branquinhas, mais discretas e em menor número, pescam nas águas doces e rasas, encolhendo o pescoço e repentinamente esticando-o e capturando a presa. São oportunistas como algumas pessoas, caladas em relação ao que desejam, sorrateiras e surpreendentes. Já os biguás cativam-me por um outro traço: são ou parecem ser como a maioria de nós, humanos. Voam para lá e para cá, entre a lagoa e a ilha, sem qualquer lógica, como se estivessem sempre à busca de uma satisfação fugidia. Procuram, como nós, aquela felicidade dos versos magistrais de Vicente de Carvalho, poeta parnasiano que também adorava o mar e escreveu:
“só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.
o eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos”.
3. SELEÇÃO DE VINHOS PORTUGUESES EM 2009 – Um amigo, Carlos Gradiz, teve a gentileza de enviar-me o resultado das muitas provas com os vinhos portugueses - Espumantes, Brancos, Tintos, Rosés e Portos - que realizou, ao longo de 2009, o crítico José António Salvador. Embora o próprio enófilo diga que "nada há de mais subjectivo do que o gosto", sua seleção merece crédito. Trata-se de jornalista consagrado, que escreveu vários livros sobre vinhos. O que me surpreendeu e alegrou muito foi sua escolha do melhor espumante português: o Murganheira Távora-Varosa Touriga Nacional Bruto 2005, que o enófilo assim definiu: “Excepcional. É claramente o melhor espumante português da actualidade. Confirmo-o à medida que o saboreio. Tanto na colheita de 2003 como agora, nesta, de 2005, este espumante revela-se sublime. Rico em aromas frutados e sabores de frescura intensa, apresenta-se com espuma sedosa e persistente.” O motivo da minha alegria é simples: Carlos Gradiz explicou-me que é vinho da região demarcada que engloba a terra de minha mãe – Fonte Arcada, aldeia aos pés da qual está a Barragem do Vilar, com sua ponte romana do século I, no Rio Távora, que dá nome ao espumante vencedor. Saúde e viva Fonte Arcada !
“só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.
o eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos”.
3. SELEÇÃO DE VINHOS PORTUGUESES EM 2009 – Um amigo, Carlos Gradiz, teve a gentileza de enviar-me o resultado das muitas provas com os vinhos portugueses - Espumantes, Brancos, Tintos, Rosés e Portos - que realizou, ao longo de 2009, o crítico José António Salvador. Embora o próprio enófilo diga que "nada há de mais subjectivo do que o gosto", sua seleção merece crédito. Trata-se de jornalista consagrado, que escreveu vários livros sobre vinhos. O que me surpreendeu e alegrou muito foi sua escolha do melhor espumante português: o Murganheira Távora-Varosa Touriga Nacional Bruto 2005, que o enófilo assim definiu: “Excepcional. É claramente o melhor espumante português da actualidade. Confirmo-o à medida que o saboreio. Tanto na colheita de 2003 como agora, nesta, de 2005, este espumante revela-se sublime. Rico em aromas frutados e sabores de frescura intensa, apresenta-se com espuma sedosa e persistente.” O motivo da minha alegria é simples: Carlos Gradiz explicou-me que é vinho da região demarcada que engloba a terra de minha mãe – Fonte Arcada, aldeia aos pés da qual está a Barragem do Vilar, com sua ponte romana do século I, no Rio Távora, que dá nome ao espumante vencedor. Saúde e viva Fonte Arcada !
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26 de nov. de 2009
INSS, IPEA, EMPREGO, FILME 2012, DOPING
1. “CLOCHARD” OU “SANS PAPIER” ? – Trabalho, desde sempre, foi um valor fundamental em minha vida. Tive o exemplo de meus pais, imigrantes à busca de um lugar ao sol, trabalhando duro, cotidianamente, sem esmorecer, sempre com alegria. Ganhando seu dinheiro suado no pequeno comércio, economizando tostões para ter uma vida digna. Nada de grandes negócios - em que se ganha uma fortuna de comissão da noite para o dia ou se fica milionário explorando o contacto político certo ou ainda capitaneando uma ONG bem apadrinhada e recebendo farto dinheiro público. Não ! Sempre trabalhando duro... E assim foi minha carreira profissional. Antes, eu ganhara algum dinheiro dando aulas particulares de Matemática, Química e Geometria Descritiva, mas foi no início de 1959 que tive meu primeiro trabalho formal, como estagiário de Engenharia, na Cavalcanti-Junqueira, uma empreiteira poderosa da construção civil. No ano seguinte fui para a CONSULTEC, empresa pioneira de Consultoria, onde permaneci até janeiro de 1965. Atendendo ao convite de Roberto Campos, em fevereiro de 1965 fui dirigir o Setor de Desenvolvimento Social do IPEA, lá permanecendo até janeiro de 1972, com o cargo de Secretário-Executivo do Centro Nacional de Recursos Humanos. Tive uma breve passagem como Consultor pela FGV e convidado por Mario Henrique Simonsen assumi a Secretaria-Executiva do MOBRAL, em abril de 1972, de onde saí em março de 1981, quando já era Presidente do órgão. Fui Consultor da Presidência da Confederação Nacional da Indústria de 1972 a 1974. Em 1992/1993 trabalhei com Walter Clark na Fundação Roquette-Pinto e com ele mesmo tive mais tarde uma curta passagem pela MULTIRIO, empresa municipal que atua em tecnologias educacionais. De 2003 a 2006 fui Subsecretário-Adjunto da Secretaria de Estado de Trabalho e Renda do Estado do Rio de Janeiro, a convite do Secretário Marco Antonio Lucidi. A partir de 1981, desde que saí do MOBRAL, gerenciei minha própria empresa de Consultoria nos intervalos entre os cargos mencionados. Mas tudo isso foi apagado. Em 1999 comecei a cuidar de minha aposentadoria no INSS, que me foi concedida em janeiro de 2000, mas cujas pensões só passei a receber em dezembro de 2002. Até hoje espero pelos atrasados não pagos. Talvez por esse motivo, anteontem recebi uma singela cartinha do INSS, pedindo meu comparecimento urgente a uma de suas Agências e exigindo os originais de meus documentos, como se para eles eu não existisse: CPF, Identidade, Cartão do PIS/PASEP, Atestado de residência (recebi a carta em casa), Certidão de Nascimento ou Casamento etc. Mas mais estranho é que pediam também a Carteira de Trabalho e os Carnês pagos ao INSS – documentação que está desde 1999 com o próprio INSS, pois fez parte de meu processo de aposentadoria. Ontem fui lá e fiquei surpreso: eu não tenho Carteira de Trabalho, portanto nunca trabalhei; não tenho carnês, logo nunca descontei para o INSS e assim por diante. Meu processo sumiu, tenho que provar que entreguei os tais documentos sob as penas da lei e estou sujeito à perda da imerecida aposentadoria. Não sei como me definir: nestes 50 anos fui um eterno vagabundo, uma vocação de “clochard”, frequentador do “cour des miracles” ou sou um reles “sans papier”, um daqueles seres vagantes pelas igrejas de Paris, sempre gritando por seus direitos e de quando em vez candidatos aos “casse-têtes” da Polícia Francesa ? Nada disso, sou apenas mais um brasileiro vítima dos descaminhos da burocracia governamental e da sua vocação irrefreável para o “calote”, agora vergonhosamente oficializado pelo Congresso brasileiro, que nega a credores legítimos o pagamento dos precatórios. Porém podia ser pior: o INSS decretar, por exemplo, que eu não existo ou que já existi mas estou morto. E não seria a primeira vez que o INSS “desencarna” um pensionista inconveniente, que ousa querer receber suas pensões todo mês...
2. SER OU NÃO SER - Brincadeiras à parte, a sensação que me ficou do episódio foi um desagradável vazio... Até sonhei com ele. A burocracia sabe ser “kafkiana”, cria verdades próprias e indesmentíveis. Eu já tivera esse mesmo tipo de sentimento anteriormente. Por exemplo, quando publicaram um livro sobre os 40 anos do IPEA, fiquei sabendo que eu talvez nem tenha trabalhado lá. Desapareci como aqueles membros proeminentes do Partido Comunista que Stalin matava e apagava dos retratos oficiais. Afinal foram 7 anos de grande dedicação, 12 a 14 horas de empenho por dia. E sob minha direção foram publicados 140 trabalhos, alguns de grande envergadura e repercussão internacional como o Diagnóstico de Educação e Mão-de-Obra, o Diagnóstico de Educação Física e Desportos, os Planos Decenal do Governo Castello Branco, o do Governo Costa e Silva, o do Governo Médici (nos capítulos referentes a Educação e Mão-de-Obra, sempre coordenados por mim). Ainda em relação ao IPEA, li recentemente um artigo de uma Professora da UNICAMP afirmando que o Diagnóstico de Educação teria sido elaborado por mim e pelo Prof. Davi Carneiro. Davi Carneiro, excelente pessoa, não teve - nem pretendeu ter - qualquer participação no trabalho...Apenas utilizamos os dados de uma pesquisa de sua empresa sobre ensino superior, o que fizemos com dezenas de outros estudos e pesquisas de diferentes proveniências. Em relação ao MOBRAL, então, as mentiras que andam por aí são tantas e tão bizarras e despudoradas que às vezes não sei se devo rir ou chorar. Mas de uma coisa estou certo: um dia a verdade prevalecerá...Não sei é se vou receber esses atrasados do INSS !
3. PONTO PARA LUPI – Lula previu que o Brasil criará 1,3 milhão de empregos formais em 2009. Lupi, seu Ministro do Trabalho, “botou banca” e “chutou” algo entre 1 e 1,1 milhão de novos postos de trabalho. Nesse “duelo de competências” aposto em Lupi, que ficará mais próximo da verdade. Mas o que ambos deveriam ter em mente é que, anualmente, temos que criar entre 1,5 milhão e 2 milhões de empregos, para satisfazer a oferta de trabalho da população que chega à idade ativa. Vocês se lembram que Lula prometeu que criaria 10 milhões de empregos em 4 anos de seu primeiro mandato ? Já está no fim do segundo e nada... 4. HECATOMBE - Agora foi o Rodoanel de José Serra, que já vira naufragar outras obras de grande porte sob sua responsabilidade, como o Metrô. Dias antes, fomos surpreeendidos pelo “apagão do Lula”, em que sua ex-Ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, teve participação ativa. E o “apagão do PT” está dando filhotes, com pequenos blecautes em Ipanema, Leblon e outros bairros cariocas. Sob Dilma, a ANEEL já “garfara” 7 bilhões de reais dos consumidores brasileiros, por desconhecer em seus cálculos que a população brasileira cresce a cada ano. Com tais candidatos à Presidência, os desastres espetaculares do filme 2012 passam a ser possíveis, pelo menos em termos de Brasil...
5. DOPING – Surgiu uma nova e promissora arma contra esse crime: o passaporte biológico, que inclui um conjunto de parâmetros sanguíneos do atleta que podem ser posteriormente comparados com os resultados dos testes antidoping efetuados posteriormente. As descontinuidades paramétricas podem denunciar o doping. Os atletas são testados de surpresa e em qualquer hora e lugar. Ficará mais difícil essa prática condenável e desumana. Ainda bem !
2. SER OU NÃO SER - Brincadeiras à parte, a sensação que me ficou do episódio foi um desagradável vazio... Até sonhei com ele. A burocracia sabe ser “kafkiana”, cria verdades próprias e indesmentíveis. Eu já tivera esse mesmo tipo de sentimento anteriormente. Por exemplo, quando publicaram um livro sobre os 40 anos do IPEA, fiquei sabendo que eu talvez nem tenha trabalhado lá. Desapareci como aqueles membros proeminentes do Partido Comunista que Stalin matava e apagava dos retratos oficiais. Afinal foram 7 anos de grande dedicação, 12 a 14 horas de empenho por dia. E sob minha direção foram publicados 140 trabalhos, alguns de grande envergadura e repercussão internacional como o Diagnóstico de Educação e Mão-de-Obra, o Diagnóstico de Educação Física e Desportos, os Planos Decenal do Governo Castello Branco, o do Governo Costa e Silva, o do Governo Médici (nos capítulos referentes a Educação e Mão-de-Obra, sempre coordenados por mim). Ainda em relação ao IPEA, li recentemente um artigo de uma Professora da UNICAMP afirmando que o Diagnóstico de Educação teria sido elaborado por mim e pelo Prof. Davi Carneiro. Davi Carneiro, excelente pessoa, não teve - nem pretendeu ter - qualquer participação no trabalho...Apenas utilizamos os dados de uma pesquisa de sua empresa sobre ensino superior, o que fizemos com dezenas de outros estudos e pesquisas de diferentes proveniências. Em relação ao MOBRAL, então, as mentiras que andam por aí são tantas e tão bizarras e despudoradas que às vezes não sei se devo rir ou chorar. Mas de uma coisa estou certo: um dia a verdade prevalecerá...Não sei é se vou receber esses atrasados do INSS !
3. PONTO PARA LUPI – Lula previu que o Brasil criará 1,3 milhão de empregos formais em 2009. Lupi, seu Ministro do Trabalho, “botou banca” e “chutou” algo entre 1 e 1,1 milhão de novos postos de trabalho. Nesse “duelo de competências” aposto em Lupi, que ficará mais próximo da verdade. Mas o que ambos deveriam ter em mente é que, anualmente, temos que criar entre 1,5 milhão e 2 milhões de empregos, para satisfazer a oferta de trabalho da população que chega à idade ativa. Vocês se lembram que Lula prometeu que criaria 10 milhões de empregos em 4 anos de seu primeiro mandato ? Já está no fim do segundo e nada... 4. HECATOMBE - Agora foi o Rodoanel de José Serra, que já vira naufragar outras obras de grande porte sob sua responsabilidade, como o Metrô. Dias antes, fomos surpreeendidos pelo “apagão do Lula”, em que sua ex-Ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, teve participação ativa. E o “apagão do PT” está dando filhotes, com pequenos blecautes em Ipanema, Leblon e outros bairros cariocas. Sob Dilma, a ANEEL já “garfara” 7 bilhões de reais dos consumidores brasileiros, por desconhecer em seus cálculos que a população brasileira cresce a cada ano. Com tais candidatos à Presidência, os desastres espetaculares do filme 2012 passam a ser possíveis, pelo menos em termos de Brasil...
5. DOPING – Surgiu uma nova e promissora arma contra esse crime: o passaporte biológico, que inclui um conjunto de parâmetros sanguíneos do atleta que podem ser posteriormente comparados com os resultados dos testes antidoping efetuados posteriormente. As descontinuidades paramétricas podem denunciar o doping. Os atletas são testados de surpresa e em qualquer hora e lugar. Ficará mais difícil essa prática condenável e desumana. Ainda bem !
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26 de out. de 2009
SUSTENTABILIDADE, EDUCAÇÃO E EMPREGO
1. HARALD HELLMUTH foi meu colega na Escola Nacional de Engenharia nos anos 50. Trancou a matrícula depois de concluir o terceiro ano e foi para a Alemanha. Como ele diz: “até então frequentava o Arpoador - ainda não havia favelas nos Dois Irmãos e via-se o Cristo Redentor. Morei aos pés deste no Cosme Velho. Formei-me em Hannover, bem mais tarde que a " nossa turma". Trabalhei por lá, só regressando para São Paulo em 1978/9 pela Siemens, a qual me aposentou em 2002. A maior parte do tempo trabalhei em assuntos ligados a energia. Então fui me introduzindo no tema Sustentabilidade, começando pelo estudo do Terceiro Setor. Cursei a ADESG e uma pós-graduação pelo NAIPPE / USP - ADESG / SP sobre “Políticas e Estratégias”. O tema foi "Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável". Minha percepção do Brasil é cunhada pelo interior, no contexto das hidrelétricas, das usinas de açúcar e álcool e de outras termelétricas”. A experiência de Harald é muito rica.
2. Recebi com prazer sua contribuição para este blog, sobre o tema “Sustentabilidade”, no contexto da aspiração de todos nós, visando construir um País melhor. Muito preocupado com as posições e compromissos que o Brasil vai assumir em Copenhagen, na 15ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, Harald explica. “Por incrível que pareça, há neste País uma reticência - que beira à rejeição - de acusar os grileiros de ladrões de terras (que são patrimônio do Estado), como se isto fosse um “delito de cavalheiro”. Até parece uma confissão de que todos gostariam de "levar uma vantagem ilegal". E quanto aos políticos - mesmo os que dão uma contribuição respeitável à causa ambiental - não acusam outros políticos. Os participantes neste caldo cultural, pressionados pela expectativa global, procuram por uma proposta enganosa para apresentar como "grande avanço" em Copenhagen e se deixarem festejar por ela. Ninguém repara que a proposta brasileira de redução do desmatamento em 80%, até 2020, significa que até lá a farra do desmatamento continuará sendo permitida aos "amigos", sacrificando extensíssimas áreas florestais. Que por outro lado o pessoal se vanglorie da "riqueza da biodiversidade" é um contrassenso em que também não se repara. Além do oportunismo bandido, existe um problema real: como melhorar a vida dos pobres que habitam a floresta.....e o Nordeste? As “bolsas” do Governo Federal - subsídios para consumo - são paliativos, mas não transformarão os recebedores em cidadãos livres e capacitados a uma vida em condições de conforto mínimo. Este aspecto não está presente na discussão política ou na mídia. Só se fala dos 20 milhões de habitantes na Amazônia, dos quais cerca de 7 milhões vivem na floresta como ribeirinhos ou assentados. E você, como engenheiro e economista, sabe que a floresta não oferece oportunidades de trabalho que gerem renda suficiente para financiar as tais condições de vida desejáveis. Mas, no caldo cultural, isto é percebido como "algo natural"....pois sempre foi assim. Os índios vivem nus, comendo o que o mato der..........não é verdade? Mas na China, promotora das últimas Olimpíadas, não se pensa assim. Lá criaram cidades na zona costeira, onde se oferecem ocupações urbanas - industriais e em serviços - com as quais já resgataram da pobreza rural - do plantio familiar que mal dá para a subsistência - 400 milhões de seus habitantes. Aqui se teria de resgatar diretamente talvez 10 a 30 milhões "apenas". Temos o minério, temos a energia, temos terras degradadas onde só vicejaria a floresta replantada - devido à pluviosidade - mas não temos a idéia, nem fantasia para copiar. Veja: nem "colar"..........repetir o "benchmark", se sabe! Eu sonho (mas não sei como realizar), que na mídia dos blogs, sites, twiters etc circulasse a pergunta: Por quê não "colamos" dos chineses a fundação de centros urbanos industriais na costa da região Norte e Nordeste, onde inicialmente beneficiaríamos os minérios - por exemplo produzindo "aço verde" - e fabricaríamos papel e celulose?" Esta seria a base social para as metas simultâneas de "desmatamento zero já" e "reflorestamentos intensivos já", que nos permitiriam comprometer metas de redução de emissões de carbono de 50% até 2015 e de emissões próximas a 0 em 2020, com crescimento econômico. Estaríamos então, simplesmente, desempenhando a nossa Responsabilidade diante da comunidade global, de contribuir o melhor possível com o destino da Humanidade. E o faríamos no interesse próprio de terminar com a vergonhosa pobreza em terras onde a pobreza não faz nenhum sentido na fase atual do desenvolvimento mundial”.
3. ENEM virou ENEMA (ENEM ADIADO) e frustou milhares de estudantes. Agora penaliza os contribuintes. Os custos adicionais decorrentes do vazamento da prova já somam R$ 130 milhões, quantia que o MEC vai pagar ao consórcio e à gráfica que vão refazer o trabalho anterior, frustrado pela fraude. Por outro lado, a Polícia Rodoviária Federal acaba de demonstrar que o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), em verdade, É NADA, porque está também sujeito às fraudes mais elementares. Afinal, esses exames servem efetivamente para avaliar alguma coisa ou existem apenas para estar de acordo com a moda inaugurada pelas instituições internacionais, lideradas pela OECD ? Até porque a metodologia adotada já deveria ter evoluído – o que não ocorreu. Mesmo sem considerar a fraude – que parece onipresente - a diagnose do processo educacional pela avaliação exclusiva do produto (o aluno depois de aprovado ou diplomado) é extremamente discutível sob o aspecto técnico. Pelo menos para quem conhece realmente o assunto...
4. Em setembro de 2009 foram gerados 252.617 empregos formais no Brasil, ainda um número menor que o observado no mesmo mês de 2008, quando foram criados 282.841 postos de trabalho. Nos três primeiros trimestres de 2009 o Brasil atingiu o saldo acumulado de 932.651 trabalhadores colocados. Alcançamos certa estabilidade nos últimos seis meses, em que sempre geramos acima de 100 mil empregos com carteira assinada por mês, o que consolida a idéia de que a economia brasileira entrou no ciclo ascendente de crescimento e o fundo do poço foi ultrapassado. Idéia reforçada pelo fato de a Indústria de Transformação – o motor do desenvolvimento - ter gerado mais empregos em setembro de 2009 (123.318) do que em setembro de 2008 (114.002). Finalmente, o setor saiu do saldo negativo no acumulado do ano: de janeiro a setembro a Indústria gerou 62.759 postos de trabalho. Em outubro e novembro de 2009 o saldo da geração de empregos ainda será positivo mas dezembro deve assinalar mais demissões do que admissões. De qualquer modo estamos melhor que a maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, embora muito atrás dos chineses.
2. Recebi com prazer sua contribuição para este blog, sobre o tema “Sustentabilidade”, no contexto da aspiração de todos nós, visando construir um País melhor. Muito preocupado com as posições e compromissos que o Brasil vai assumir em Copenhagen, na 15ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, Harald explica. “Por incrível que pareça, há neste País uma reticência - que beira à rejeição - de acusar os grileiros de ladrões de terras (que são patrimônio do Estado), como se isto fosse um “delito de cavalheiro”. Até parece uma confissão de que todos gostariam de "levar uma vantagem ilegal". E quanto aos políticos - mesmo os que dão uma contribuição respeitável à causa ambiental - não acusam outros políticos. Os participantes neste caldo cultural, pressionados pela expectativa global, procuram por uma proposta enganosa para apresentar como "grande avanço" em Copenhagen e se deixarem festejar por ela. Ninguém repara que a proposta brasileira de redução do desmatamento em 80%, até 2020, significa que até lá a farra do desmatamento continuará sendo permitida aos "amigos", sacrificando extensíssimas áreas florestais. Que por outro lado o pessoal se vanglorie da "riqueza da biodiversidade" é um contrassenso em que também não se repara. Além do oportunismo bandido, existe um problema real: como melhorar a vida dos pobres que habitam a floresta.....e o Nordeste? As “bolsas” do Governo Federal - subsídios para consumo - são paliativos, mas não transformarão os recebedores em cidadãos livres e capacitados a uma vida em condições de conforto mínimo. Este aspecto não está presente na discussão política ou na mídia. Só se fala dos 20 milhões de habitantes na Amazônia, dos quais cerca de 7 milhões vivem na floresta como ribeirinhos ou assentados. E você, como engenheiro e economista, sabe que a floresta não oferece oportunidades de trabalho que gerem renda suficiente para financiar as tais condições de vida desejáveis. Mas, no caldo cultural, isto é percebido como "algo natural"....pois sempre foi assim. Os índios vivem nus, comendo o que o mato der..........não é verdade? Mas na China, promotora das últimas Olimpíadas, não se pensa assim. Lá criaram cidades na zona costeira, onde se oferecem ocupações urbanas - industriais e em serviços - com as quais já resgataram da pobreza rural - do plantio familiar que mal dá para a subsistência - 400 milhões de seus habitantes. Aqui se teria de resgatar diretamente talvez 10 a 30 milhões "apenas". Temos o minério, temos a energia, temos terras degradadas onde só vicejaria a floresta replantada - devido à pluviosidade - mas não temos a idéia, nem fantasia para copiar. Veja: nem "colar"..........repetir o "benchmark", se sabe! Eu sonho (mas não sei como realizar), que na mídia dos blogs, sites, twiters etc circulasse a pergunta: Por quê não "colamos" dos chineses a fundação de centros urbanos industriais na costa da região Norte e Nordeste, onde inicialmente beneficiaríamos os minérios - por exemplo produzindo "aço verde" - e fabricaríamos papel e celulose?" Esta seria a base social para as metas simultâneas de "desmatamento zero já" e "reflorestamentos intensivos já", que nos permitiriam comprometer metas de redução de emissões de carbono de 50% até 2015 e de emissões próximas a 0 em 2020, com crescimento econômico. Estaríamos então, simplesmente, desempenhando a nossa Responsabilidade diante da comunidade global, de contribuir o melhor possível com o destino da Humanidade. E o faríamos no interesse próprio de terminar com a vergonhosa pobreza em terras onde a pobreza não faz nenhum sentido na fase atual do desenvolvimento mundial”.
3. ENEM virou ENEMA (ENEM ADIADO) e frustou milhares de estudantes. Agora penaliza os contribuintes. Os custos adicionais decorrentes do vazamento da prova já somam R$ 130 milhões, quantia que o MEC vai pagar ao consórcio e à gráfica que vão refazer o trabalho anterior, frustrado pela fraude. Por outro lado, a Polícia Rodoviária Federal acaba de demonstrar que o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), em verdade, É NADA, porque está também sujeito às fraudes mais elementares. Afinal, esses exames servem efetivamente para avaliar alguma coisa ou existem apenas para estar de acordo com a moda inaugurada pelas instituições internacionais, lideradas pela OECD ? Até porque a metodologia adotada já deveria ter evoluído – o que não ocorreu. Mesmo sem considerar a fraude – que parece onipresente - a diagnose do processo educacional pela avaliação exclusiva do produto (o aluno depois de aprovado ou diplomado) é extremamente discutível sob o aspecto técnico. Pelo menos para quem conhece realmente o assunto...
4. Em setembro de 2009 foram gerados 252.617 empregos formais no Brasil, ainda um número menor que o observado no mesmo mês de 2008, quando foram criados 282.841 postos de trabalho. Nos três primeiros trimestres de 2009 o Brasil atingiu o saldo acumulado de 932.651 trabalhadores colocados. Alcançamos certa estabilidade nos últimos seis meses, em que sempre geramos acima de 100 mil empregos com carteira assinada por mês, o que consolida a idéia de que a economia brasileira entrou no ciclo ascendente de crescimento e o fundo do poço foi ultrapassado. Idéia reforçada pelo fato de a Indústria de Transformação – o motor do desenvolvimento - ter gerado mais empregos em setembro de 2009 (123.318) do que em setembro de 2008 (114.002). Finalmente, o setor saiu do saldo negativo no acumulado do ano: de janeiro a setembro a Indústria gerou 62.759 postos de trabalho. Em outubro e novembro de 2009 o saldo da geração de empregos ainda será positivo mas dezembro deve assinalar mais demissões do que admissões. De qualquer modo estamos melhor que a maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, embora muito atrás dos chineses.
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18 de set. de 2009
ECONOMIA, FUTEBOL E POLÍTICA
1. A criação de 242.126 empregos com carteira assinada em agosto de 2009 merece comemoração. Não tanto do ponto de vista quantitativo, embora tenha superado o resultado do mesmo mês de 2008 (239.123). O problema é que somando os oito primeiro meses de 2009 foram gerados apenas 680.034 postos, muito menos que no mesmo período do ano anterior, quando o número chegou a 1.703.000 novos postos de trabalho.Mas promissora, sem dúvida, foi a distribuição setorial do saldo obtido agora , pois logo após os Serviços ( que abriu mais vagas: 85.568 ) segue-se a Indústria de Transformação com 66.564 novos postos (produtos alimentícios, com 22.614 empregos; indústria têxtil, com 9.238; calçados, com 8.974 e metalúrgica com 5.982 foram os destaques). Essa reação da indústria fortalece a esperança de um crescimento de PIB positivo ainda em 2009, pois seu peso é decisivo na economia brasileira. Restam muitos motivos de apreensão e reflexos negativos da crise. A queda de arrecadação de IPI (imposto sobre produtos industrializados), por exemplo, está batendo forte em pequenos Municípios, que vivem essencialmente do Fundo de Participação. Suas populações sofrem com a deterioração de serviços essenciais. E estão vindo por aí mais 7 mil vereadores para aumentar suas despesas ! Mas a mídia sonega essas notícias menos agradáveis e transpira um otimismo “chapa branca” irresponsável.
2. A política, tal como praticada no Brasil, é um evidente obstáculo ao progresso do País e à melhoria da qualidade de vida de seu povo. Trata-se, evidentemente, de um setor da vida nacional a necessitar urgentemente de reformas saneadoras profundas - que não chegam nunca. O que se faz é meramente cosmético e natural, pois os encarregados das reformas são exatamente...os políticos que estão no poder e pretendem continuar lá ! Caso se venha a conceber com seriedade tal reforma, tenho uma sugestão: a criação de uma instituição muito útil, existente na Austrália - o Partido de Apoio Político (PAP). Trata-se de um partido que tem filiados mas não tem candidatos próprios a qualquer cargo e que a cada eleição, de acordo com critérios bem claros, baseados na ética e nas melhores teorias de desenvolvimento econômico e social, apresenta uma lista de candidatos de outros partidos que - pela atuação pregressa e pelo programa de trabalho futuro - merecem o voto dos filiados do PAP. Uma inovação que cairia como uma luva para os muitos eleitores hoje sem rumo, desiludidos com as baixarias dos políticos brasileiros, em sua maioria viciados em práticas corruptas, inerentes ao sistema eleitoral adotado nos últimos anos. E também para os eleitores de direita que - segundo o Presidente Lulla anunciou alegremente - não terão candidato nas próximas eleições presidenciais. Uma pena, por duas razões: primeiro porque um País sem direita, ao contrário do que pensa "nosso guia", não é uma democracia completa; segundo, porque assim ficamos sabendo que Henrique Meirelles – a pessoa mais competente do Governo – não será candidato.
3. E por falar em reforma política, são tantas as atribulações a que estão submetidos os clubes de futebol no Brasil que depois de observá-los décadas, por dentro (no caso do Fluminense) e por fora (dando consultoria a entidades desportivas), tenho uma proposta para iniciar a indispensável reforma de costumes nesse meio totalmente conturbado: abandonar definitivamente o regime presidencialista nos clubes - que leva muitos incompetentes e desequilibrados ao poder absoluto - substituindo-o por outro em que a administração fosse posta nas mãos de um pequeno grupo de « notáveis » da agremiação (entre três e cinco membros), escolhidos pelo colégio eleitoral adotado em cada caso específico. De preferência, « notáveis » com talentos cobrindo os setores mais importantes da vida de um clube moderno : finanças; marketing ; gestão esportiva ; jurídico e relações com a comunidade de adeptos do clube.
4. Platini mostra que além de craque em campo é um excelente gestor esportivo. A UEFA barrará em seus torneios continentais os clubes que se endividarem irresponsavelmente. Está mais atento à conjuntura que as inertes autoridades financeiras internacionais.
5. O Lehman Brothers declarou falência já há um ano, desencadeando o colapso geral do sistema financeiro internacional. Acabaram a confiança e o crédito, paralisando o comércio internacional e decretando recessão nos países ricos. Os danos só foram sanados graças à resposta global e imediata de bancos centrais e governos, para evitar o pânico, estabilizar o sistema e permitir o regresso gradual à normalidade, com reforços de capital público aos bancos vulneráveis e crédito barato. Uma providência essencial, porém, ainda tarda: a regulação da atividade financeira internacional de forma que não violente o mercado mas impeça a repetição da crise. Por isso, voto em Platini para “regra três” de Bernanke, no Federal Reserve...
2. A política, tal como praticada no Brasil, é um evidente obstáculo ao progresso do País e à melhoria da qualidade de vida de seu povo. Trata-se, evidentemente, de um setor da vida nacional a necessitar urgentemente de reformas saneadoras profundas - que não chegam nunca. O que se faz é meramente cosmético e natural, pois os encarregados das reformas são exatamente...os políticos que estão no poder e pretendem continuar lá ! Caso se venha a conceber com seriedade tal reforma, tenho uma sugestão: a criação de uma instituição muito útil, existente na Austrália - o Partido de Apoio Político (PAP). Trata-se de um partido que tem filiados mas não tem candidatos próprios a qualquer cargo e que a cada eleição, de acordo com critérios bem claros, baseados na ética e nas melhores teorias de desenvolvimento econômico e social, apresenta uma lista de candidatos de outros partidos que - pela atuação pregressa e pelo programa de trabalho futuro - merecem o voto dos filiados do PAP. Uma inovação que cairia como uma luva para os muitos eleitores hoje sem rumo, desiludidos com as baixarias dos políticos brasileiros, em sua maioria viciados em práticas corruptas, inerentes ao sistema eleitoral adotado nos últimos anos. E também para os eleitores de direita que - segundo o Presidente Lulla anunciou alegremente - não terão candidato nas próximas eleições presidenciais. Uma pena, por duas razões: primeiro porque um País sem direita, ao contrário do que pensa "nosso guia", não é uma democracia completa; segundo, porque assim ficamos sabendo que Henrique Meirelles – a pessoa mais competente do Governo – não será candidato.
3. E por falar em reforma política, são tantas as atribulações a que estão submetidos os clubes de futebol no Brasil que depois de observá-los décadas, por dentro (no caso do Fluminense) e por fora (dando consultoria a entidades desportivas), tenho uma proposta para iniciar a indispensável reforma de costumes nesse meio totalmente conturbado: abandonar definitivamente o regime presidencialista nos clubes - que leva muitos incompetentes e desequilibrados ao poder absoluto - substituindo-o por outro em que a administração fosse posta nas mãos de um pequeno grupo de « notáveis » da agremiação (entre três e cinco membros), escolhidos pelo colégio eleitoral adotado em cada caso específico. De preferência, « notáveis » com talentos cobrindo os setores mais importantes da vida de um clube moderno : finanças; marketing ; gestão esportiva ; jurídico e relações com a comunidade de adeptos do clube.
4. Platini mostra que além de craque em campo é um excelente gestor esportivo. A UEFA barrará em seus torneios continentais os clubes que se endividarem irresponsavelmente. Está mais atento à conjuntura que as inertes autoridades financeiras internacionais.
5. O Lehman Brothers declarou falência já há um ano, desencadeando o colapso geral do sistema financeiro internacional. Acabaram a confiança e o crédito, paralisando o comércio internacional e decretando recessão nos países ricos. Os danos só foram sanados graças à resposta global e imediata de bancos centrais e governos, para evitar o pânico, estabilizar o sistema e permitir o regresso gradual à normalidade, com reforços de capital público aos bancos vulneráveis e crédito barato. Uma providência essencial, porém, ainda tarda: a regulação da atividade financeira internacional de forma que não violente o mercado mas impeça a repetição da crise. Por isso, voto em Platini para “regra três” de Bernanke, no Federal Reserve...
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22 de ago. de 2009
Pangloss no melhor dos mundos: Brasília
1. O Dr. Pangloss, otimista incorrigível criado pelo genial Voltaire, em sua obra “Candide”, deve estar fazendo um “bico” fantasmagórico na área de comunicação da Esplanada dos Ministérios. Segundo dados coletados pelo Ministério do Trabalho e divulgados como excelentes, o Brasil criou 138 mil empregos com carteira assinada em julho deste ano. Em julho de 2008 haviam sido 203 mil, o que demonstra que ainda estamos gerando postos de trabalho muito abaixo do necessário. Na soma dos sete primeiros meses de 2009 criamos apenas 438.000 empregos formais, enquanto no mesmo período de 2008 havíamos conseguido a marca de 1.465.000, mais do que o triplo deste ano. O programa habitacional, boa iniciativa do Governo, propiciou à Construção Civil o maior saldo positivo de julho (32 mil empregos). Preocupa, porém, a fraca recuperação da Indústria de Transformação que só criou 17 mil postos de trabalho e permanece no negativo. Motor do nosso crescimento, a Indústria afundará o PIB em 2009.
2. Quanto à Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE - que assinalou desemprego de 8,1% em junho e 8,0% em julho - também despertando a euforia governamental, convém lembrar que esse levantamento por amostragem domiciliar refere-se apenas a seis Regiões Metropolitanas e não tem representatividade para permitir conclusões mais profundas, já que não inclui áreas extremamente afetadas pela desocupação causada pela crise. Por exemplo, não considera a poderosa indústria paulista fora da área metropolitana e o interior de Estados cujo agronegócio reduziu muito suas exportações e desempregou. A PME é um instrumento de análise morto.
3. O esporte de competição de alto nível está no auge de seu prestígio, levando grandes multidões ao delírio e até fanatizando-as, ocupando crescentemente os principais espaços da mídia, movimentando cifras cada vez mais expressivas. E funcionando como fator relevante de mobilidade social e econômica de jovens talentosos nascidos nas famílias mais pobres. Ao mesmo tempo, infelizmente, o esporte está enveredando por caminhos tortuosos. Os fatos são eloquentes. A saúde dos praticantes é apenas uma preocupação conjuntural - enquanto necessária à performance vencedora - e o aperfeiçoamento da formação educacional e cultural dos atletas nem é cogitado, o que prejudica seu futuro. Muitos ídolos esportivos tornam-se péssimos exemplos de caráter e comportamento para as novas gerações e isso é muito negativo. Quando as motivações originais do esporte forem recuperadas e a ética voltar a ser o princípio basilar dessa atividade humana – e isso é inevitável como reação ao que anda por aí - a vitória a qualquer preço será condenada e o esporte perderá adeptos e talvez sua atual importância. Dificilmente a tendência da opinião pública mundial para privilegiar a qualidade de vida da pessoa humana se omitirá eternamente diante da inversão de valores que o esporte profissional mafioso impõe: doping, suborno, violência, ídolos estroinas, viciados e desonestos... Nada disso tem futuro. Esporte é saúde, crescimento psicológico, superação, disciplina e pertinácia, sempre tendo a ética como paradigma inabalável. Fora dessa trilha não há salvação.
4. Uma interessante discussão educacional está sendo travada nos Estados Unidos da América. A questão central é se os professores devem ser pagos de acordo com os graus acadêmicos obtidos e aumentados em função dos cursos que completarem posteriormente ou se sua remuneração deve ser função também - ou até principalmente - dos resultados escolares obtidos pelos seus alunos. A administração Obama se inclina por privilegiar a performance dos estudantes como parâmetro de valorização dos mestres. A tradição em educação é pagar com base em “treinamento e experiência” que são, porém, indicadores débeis da eficiência, eficácia e efetividade do sistema escolar.
5. Há argumentos dos dois lados a considerar. Katherine Merseth, que dirige a Harvard Graduate School of Education, afirma que nos EEUU apenas 100 dos 1.300 programas de treinamento de professores fazem um bom trabalho e que os restantes deveriam ser fechados. Por outro lado, a “burocracia”, sempre apegada rigidamente às “regras”, prefere contratar um docente medíocre com muitos diplomas do que um candidato brilhante mas sem os cursos considerados “adequados”. Além disso, qualquer professor sempre argumentará que o binômio ensino-aprendizado não é coerente, pois o mestre pode ser muito bom mas o aluno não corresponder (e vice-versa). Autoridades e educadores brasileiros deveriam acompanhar atentamente essa discussão...
2. Quanto à Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE - que assinalou desemprego de 8,1% em junho e 8,0% em julho - também despertando a euforia governamental, convém lembrar que esse levantamento por amostragem domiciliar refere-se apenas a seis Regiões Metropolitanas e não tem representatividade para permitir conclusões mais profundas, já que não inclui áreas extremamente afetadas pela desocupação causada pela crise. Por exemplo, não considera a poderosa indústria paulista fora da área metropolitana e o interior de Estados cujo agronegócio reduziu muito suas exportações e desempregou. A PME é um instrumento de análise morto.
3. O esporte de competição de alto nível está no auge de seu prestígio, levando grandes multidões ao delírio e até fanatizando-as, ocupando crescentemente os principais espaços da mídia, movimentando cifras cada vez mais expressivas. E funcionando como fator relevante de mobilidade social e econômica de jovens talentosos nascidos nas famílias mais pobres. Ao mesmo tempo, infelizmente, o esporte está enveredando por caminhos tortuosos. Os fatos são eloquentes. A saúde dos praticantes é apenas uma preocupação conjuntural - enquanto necessária à performance vencedora - e o aperfeiçoamento da formação educacional e cultural dos atletas nem é cogitado, o que prejudica seu futuro. Muitos ídolos esportivos tornam-se péssimos exemplos de caráter e comportamento para as novas gerações e isso é muito negativo. Quando as motivações originais do esporte forem recuperadas e a ética voltar a ser o princípio basilar dessa atividade humana – e isso é inevitável como reação ao que anda por aí - a vitória a qualquer preço será condenada e o esporte perderá adeptos e talvez sua atual importância. Dificilmente a tendência da opinião pública mundial para privilegiar a qualidade de vida da pessoa humana se omitirá eternamente diante da inversão de valores que o esporte profissional mafioso impõe: doping, suborno, violência, ídolos estroinas, viciados e desonestos... Nada disso tem futuro. Esporte é saúde, crescimento psicológico, superação, disciplina e pertinácia, sempre tendo a ética como paradigma inabalável. Fora dessa trilha não há salvação.
4. Uma interessante discussão educacional está sendo travada nos Estados Unidos da América. A questão central é se os professores devem ser pagos de acordo com os graus acadêmicos obtidos e aumentados em função dos cursos que completarem posteriormente ou se sua remuneração deve ser função também - ou até principalmente - dos resultados escolares obtidos pelos seus alunos. A administração Obama se inclina por privilegiar a performance dos estudantes como parâmetro de valorização dos mestres. A tradição em educação é pagar com base em “treinamento e experiência” que são, porém, indicadores débeis da eficiência, eficácia e efetividade do sistema escolar.
5. Há argumentos dos dois lados a considerar. Katherine Merseth, que dirige a Harvard Graduate School of Education, afirma que nos EEUU apenas 100 dos 1.300 programas de treinamento de professores fazem um bom trabalho e que os restantes deveriam ser fechados. Por outro lado, a “burocracia”, sempre apegada rigidamente às “regras”, prefere contratar um docente medíocre com muitos diplomas do que um candidato brilhante mas sem os cursos considerados “adequados”. Além disso, qualquer professor sempre argumentará que o binômio ensino-aprendizado não é coerente, pois o mestre pode ser muito bom mas o aluno não corresponder (e vice-versa). Autoridades e educadores brasileiros deveriam acompanhar atentamente essa discussão...
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21 de mai. de 2009
CRISE DE EMPREGO
1. A economia brasileira está em recessão mas provavelmente será das menos afetadas pela crise mundial e poderá recuperar-se mais rapidamente que as dos países desenvolvidos. Em parte, graças a algumas de nossas virtudes – por exemplo, pela atuação corajosa e competente do Banco Central nos últimos anos, tanto na política de juros como na regulação do sistema financeiro. Mas também como resultante de certas debilidades nossas - como a persistência em mantermos uma economia ainda muito fechada, o que nos torna menos dependentes do cenário global. Para o bem e para o mal... No caso atual está ajudando.
2. Mas há um aspecto em que a crise está batendo forte – no mercado de trabalho brasileiro. Isto porque seu efeito foi potenciado por sérios problemas estruturais pré-existentes. Nosso País já tinha, cronicamente, um desemprego muito elevado desde a década dos 90. Agora essa questão assume proporções diferentes e se a reação da economia demorar mais alguns meses, enfrentaremos situações mais difíceis de suportar. O fato de as seis regiões metropolitanas apresentarem desemprego de 8,9% em abril contra 9,0% em março, não serve de alento, indicando estabilidade, porque menos 40 mil pessoas estão trabalhando, diminuiu o rendimento médio do pessoal ocupado e muitos desalentados desistiram de procurar emprego.
3. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho para todo o Brasil, no primeiro quadrimestre deste ano nosso setor produtivo criou apenas 48.454 empregos. A situação melhorou, apenas aparentemente, em abril de 2009, quando foram gerados 106.205 postos de trabalho formais. Mas comparando com os primeiros quatro meses de 2008, quando nossa economia inseriu no mercado 848.332 trabalhadores com carteira assinada, verifica-se que o quadro atual não é nada animador. Há uma diferença preocupante de 740 mil empregos entre os dois períodos. Isso, sem falar que só em dezembro de 2008 já havíamos perdido 650 mil postos, ainda não recuperados. Considerando só 2009, tanto a Indústria (o motor do desenvolvimento) quanto o Comércio permanecem com saldo negativo que somado chega a 200 mil vagas perdidas. Nestas alturas, a desocupação em nosso Pais já deve exceder 10%, batendo forte nos grupos mais vulneráveis da população. Nos Estados Unidos e na União Européia o desemprego ainda não atingiu os dois dígitos, mas as autoridades estão alarmadas. Aqui reina o otimismo oficial. Para piorar, de janeiro a abril deste ano, houve acréscimo de cerca de 30 mil funcionários na administração pública. Em outras palavras: os governos contribuíram com dois terços do minguado saldo positivo de 48 mil empregos formais, engrossando suas despesas correntes e inibindo investimentos. Provavelmente por isso reina a alegria geral nas cúpulas governamentais... Mas 2009, em termos de emprego, será um “ano perdido”.
4. Sempre utilizando palestrantes de alto nível, o MOBRAL realizou vários cursos para aperfeiçoamento de seu pessoal. Eu comparecia a alguns deles. Participei certa vez de uma sessão na qual, entre outros temas, conversávamos sobre os dois jornais de periodicidade mensal que o MOBRAL publicava para distribuir a seus ex-alunos, de modo a incentivá-los à leitura e mantê-los atualizados. Um dos jornais, para quem concluíra Educação Integrada (equivalente ao antigo curso primário) tinha uma tiragem de 500 mil exemplares por mês; o outro, para recém-alfabetizados, imprimia 2 milhões de exemplares mensais (intitulado "O PASSO" e produzido pelos "Diários Associados"). Enquanto eu explicava o conteúdo da última edição dos jornais, os técnicos presentes começaram a rir e o palestrante perguntou-lhes a razão. Explicaram que eu – Presidente do MOBRAL – teimava em fazer a última revisão dos jornais. Em outras palavras, ironizavam a excessiva centralização que isso significaria. Após os risos, nosso conferencista me redimiu, dizendo: “ se uma instituição da importância do MOBRAL faz edições de 500 mil ou 2 milhões de exemplares para distribuição pública eu também acho que o próprio Presidente deva fazer sua revisão final !” Aliás, o MOBRAL mantinha padrões rigorosos de controle de qualidade de seu material didático, o que era natural pelo fato de que representava a sua despesa mais importante. Assim, a instituição contratou o INT (Rio de Janeiro) e o IPT (São Paulo) para retirarem amostras desse material dentro das editoras e o examinarem quanto à gramatura, brilho e cor, de modo a garantir sua qualidade e durabilidade. Práticas que deveriam ser uma rotina nos dias de hoje, nas organizações com boa gestão.
5. O Governo Estadual de São Paulo, mais de uma vez, distribuiu livros didáticos inadequados aos milhares (com conteúdos pornográficos e/ou grosseiramente errados) para seus alunos do ensino fundamental. Parece que ninguém havia lido esses livros na Secretaria de Educação do Estado. A distribuição de material para fins didáticos implica em enorme responsabilidade social e bons administradores, qualquer que seja seu status, desde que efetivamente comprometidos com a causa da Educação, sempre devem ter tempo para fazer o que é preciso fazer...
2. Mas há um aspecto em que a crise está batendo forte – no mercado de trabalho brasileiro. Isto porque seu efeito foi potenciado por sérios problemas estruturais pré-existentes. Nosso País já tinha, cronicamente, um desemprego muito elevado desde a década dos 90. Agora essa questão assume proporções diferentes e se a reação da economia demorar mais alguns meses, enfrentaremos situações mais difíceis de suportar. O fato de as seis regiões metropolitanas apresentarem desemprego de 8,9% em abril contra 9,0% em março, não serve de alento, indicando estabilidade, porque menos 40 mil pessoas estão trabalhando, diminuiu o rendimento médio do pessoal ocupado e muitos desalentados desistiram de procurar emprego.
3. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho para todo o Brasil, no primeiro quadrimestre deste ano nosso setor produtivo criou apenas 48.454 empregos. A situação melhorou, apenas aparentemente, em abril de 2009, quando foram gerados 106.205 postos de trabalho formais. Mas comparando com os primeiros quatro meses de 2008, quando nossa economia inseriu no mercado 848.332 trabalhadores com carteira assinada, verifica-se que o quadro atual não é nada animador. Há uma diferença preocupante de 740 mil empregos entre os dois períodos. Isso, sem falar que só em dezembro de 2008 já havíamos perdido 650 mil postos, ainda não recuperados. Considerando só 2009, tanto a Indústria (o motor do desenvolvimento) quanto o Comércio permanecem com saldo negativo que somado chega a 200 mil vagas perdidas. Nestas alturas, a desocupação em nosso Pais já deve exceder 10%, batendo forte nos grupos mais vulneráveis da população. Nos Estados Unidos e na União Européia o desemprego ainda não atingiu os dois dígitos, mas as autoridades estão alarmadas. Aqui reina o otimismo oficial. Para piorar, de janeiro a abril deste ano, houve acréscimo de cerca de 30 mil funcionários na administração pública. Em outras palavras: os governos contribuíram com dois terços do minguado saldo positivo de 48 mil empregos formais, engrossando suas despesas correntes e inibindo investimentos. Provavelmente por isso reina a alegria geral nas cúpulas governamentais... Mas 2009, em termos de emprego, será um “ano perdido”.
4. Sempre utilizando palestrantes de alto nível, o MOBRAL realizou vários cursos para aperfeiçoamento de seu pessoal. Eu comparecia a alguns deles. Participei certa vez de uma sessão na qual, entre outros temas, conversávamos sobre os dois jornais de periodicidade mensal que o MOBRAL publicava para distribuir a seus ex-alunos, de modo a incentivá-los à leitura e mantê-los atualizados. Um dos jornais, para quem concluíra Educação Integrada (equivalente ao antigo curso primário) tinha uma tiragem de 500 mil exemplares por mês; o outro, para recém-alfabetizados, imprimia 2 milhões de exemplares mensais (intitulado "O PASSO" e produzido pelos "Diários Associados"). Enquanto eu explicava o conteúdo da última edição dos jornais, os técnicos presentes começaram a rir e o palestrante perguntou-lhes a razão. Explicaram que eu – Presidente do MOBRAL – teimava em fazer a última revisão dos jornais. Em outras palavras, ironizavam a excessiva centralização que isso significaria. Após os risos, nosso conferencista me redimiu, dizendo: “ se uma instituição da importância do MOBRAL faz edições de 500 mil ou 2 milhões de exemplares para distribuição pública eu também acho que o próprio Presidente deva fazer sua revisão final !” Aliás, o MOBRAL mantinha padrões rigorosos de controle de qualidade de seu material didático, o que era natural pelo fato de que representava a sua despesa mais importante. Assim, a instituição contratou o INT (Rio de Janeiro) e o IPT (São Paulo) para retirarem amostras desse material dentro das editoras e o examinarem quanto à gramatura, brilho e cor, de modo a garantir sua qualidade e durabilidade. Práticas que deveriam ser uma rotina nos dias de hoje, nas organizações com boa gestão.
5. O Governo Estadual de São Paulo, mais de uma vez, distribuiu livros didáticos inadequados aos milhares (com conteúdos pornográficos e/ou grosseiramente errados) para seus alunos do ensino fundamental. Parece que ninguém havia lido esses livros na Secretaria de Educação do Estado. A distribuição de material para fins didáticos implica em enorme responsabilidade social e bons administradores, qualquer que seja seu status, desde que efetivamente comprometidos com a causa da Educação, sempre devem ter tempo para fazer o que é preciso fazer...
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16 de mai. de 2009
EMPREGO, EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA
1. O movimento internacional denominado MayDay (alerta de socorro), surgido ostensivamente em Milão em 2002, desfila todos os anos no dia 1º De Maio em alguns países. É composto dos trabalhadores marginalizados do mercado formal de empregos. Na Europa denominam-se de “precários” e protagonizaram grandes choques com a Polícia este ano. Consideram-se marginalizados pela sociedade, por não terem as garantias trabalhistas e previdenciárias do restante da mão de obra de seus países. No Brasil seriam os “informais” que estão nessa situação por falta de melhores opções. Caso se organizassem em nosso País e desfilassem no Dia do Trabalho, nossas ruas ficariam repletas: os informais que não contribuem para a Previdência são 45 milhões e representam metade da população ocupada no Brasil, tendendo a crescer muito mais em 2009 e 2010. Principal responsável por esse problema: uma legislação que taxa fortemente as empresas que contratam empregados formais e que o Governo Federal teima em não reformar, para não contrariar o Poder Sindicalista que domina o Brasil.
2. Medidas necessárias para reduzir a informalidade:
· Reduzir a carga tributária geral sobre as empresas;
· Aliviar a tributação específica sobre a mão-de-obra empregada (os impostos sobre o trabalho);
· Incentivar a formalização de empresas que estão na informalidade através da criação de um novo tipo de empresa, para a qual haja um mínimo de exigências burocráticas e tributação restrita a um só imposto, que possa ser pago por via eletrônica;
· Parar de exigir formalidades burocráticas irrealistas ao pequeno empresário;
· Simplificar e acelerar a abertura das empresas nas Juntas Comerciais e nos Cartórios de Registros de Pessoas Jurídicas;
· Simplificar e acelerar o encerramento de empresas - hoje dura anos.
O Brasil precisa de Reformas !
3. Holocausto - parte do meu cotidiano de menino que cresceu durante a II Guerra Mundial. Ainda não era o sinônimo para genocídio, mas estava bem presente. Seu Adolfo (quanta ironia nesse nome!), judeu polonês, dono de uma sapataria na Visconde de Pirajá, em Ipanema, morava lá em casa. Era amigo de meu pai, comerciante na mesma rua, que sempre me recomendava não lhe fazer perguntas sobre seus familiares, pois alguns haviam sido mortos nos campos de concentração nazistas (de Adolf Hitler). Havia um halo de mistério e tristeza naquele drama. De seu quarto, sempre fechado, lembro-me da cômoda escura e daquele castiçal diferente (o menorah), ao lado de muitos retratos amarelecidos. Um dia, ao passar pelo corredor, julguei vê-lo orar, arqueado, enquanto erguia um retrato de família. Com o meu barulho, voltou-se surpreso e apressou-se a fechar a porta indiscreta. Jamais esquecerei aquela lágrima grossa, escorrendo-lhe pela face inconsolável.
4. Para complicar ainda mais a situação da nossa educação tão problemática, grandes cidades brasileiras já sofrem forte influência negativa da violência que fecha escolas, eleva o absenteísmo de alunos e professores (levando ao extremo da deserção escolar e desistência de lecionar) e criam ambiente pouco propício ao processo de ensino-aprendizado. Multiplicam-se as agressões feitas contra os professores e as brigas sangrentas entre estudantes. Os assaltos às escolas e os roubos de seus equipamentos são comuns. Sugiro às Prefeituras atingidas mandar especialistas bilíngues ao curso de verão que a UNESCO vai dar sobre "Reconstruindo a Resistência: planejando a educação em contextos frágeis". A questão da violência será abordada amplamente e possíveis soluções aventadas e discutidas. Iraque, Afganistão, República do Congo, Faixa de Gaza etc terão suas experiências analisadas. O curso acontecerá no Instituto Internacional de Planejamento da Educação (IIPE) da UNESCO, de 20 a 31 de julho, em Paris.
2. Medidas necessárias para reduzir a informalidade:
· Reduzir a carga tributária geral sobre as empresas;
· Aliviar a tributação específica sobre a mão-de-obra empregada (os impostos sobre o trabalho);
· Incentivar a formalização de empresas que estão na informalidade através da criação de um novo tipo de empresa, para a qual haja um mínimo de exigências burocráticas e tributação restrita a um só imposto, que possa ser pago por via eletrônica;
· Parar de exigir formalidades burocráticas irrealistas ao pequeno empresário;
· Simplificar e acelerar a abertura das empresas nas Juntas Comerciais e nos Cartórios de Registros de Pessoas Jurídicas;
· Simplificar e acelerar o encerramento de empresas - hoje dura anos.
O Brasil precisa de Reformas !
3. Holocausto - parte do meu cotidiano de menino que cresceu durante a II Guerra Mundial. Ainda não era o sinônimo para genocídio, mas estava bem presente. Seu Adolfo (quanta ironia nesse nome!), judeu polonês, dono de uma sapataria na Visconde de Pirajá, em Ipanema, morava lá em casa. Era amigo de meu pai, comerciante na mesma rua, que sempre me recomendava não lhe fazer perguntas sobre seus familiares, pois alguns haviam sido mortos nos campos de concentração nazistas (de Adolf Hitler). Havia um halo de mistério e tristeza naquele drama. De seu quarto, sempre fechado, lembro-me da cômoda escura e daquele castiçal diferente (o menorah), ao lado de muitos retratos amarelecidos. Um dia, ao passar pelo corredor, julguei vê-lo orar, arqueado, enquanto erguia um retrato de família. Com o meu barulho, voltou-se surpreso e apressou-se a fechar a porta indiscreta. Jamais esquecerei aquela lágrima grossa, escorrendo-lhe pela face inconsolável.
4. Para complicar ainda mais a situação da nossa educação tão problemática, grandes cidades brasileiras já sofrem forte influência negativa da violência que fecha escolas, eleva o absenteísmo de alunos e professores (levando ao extremo da deserção escolar e desistência de lecionar) e criam ambiente pouco propício ao processo de ensino-aprendizado. Multiplicam-se as agressões feitas contra os professores e as brigas sangrentas entre estudantes. Os assaltos às escolas e os roubos de seus equipamentos são comuns. Sugiro às Prefeituras atingidas mandar especialistas bilíngues ao curso de verão que a UNESCO vai dar sobre "Reconstruindo a Resistência: planejando a educação em contextos frágeis". A questão da violência será abordada amplamente e possíveis soluções aventadas e discutidas. Iraque, Afganistão, República do Congo, Faixa de Gaza etc terão suas experiências analisadas. O curso acontecerá no Instituto Internacional de Planejamento da Educação (IIPE) da UNESCO, de 20 a 31 de julho, em Paris.
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