Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
4 de fev. de 2010
LAGOA DOS MEUS VERDES ANOS E EDUCAÇÃO
1.LAGOA REVIGORADA –– A Lagoa Rodrigo de Freitas, no meu tempo de garoto, tinha águas limpas cheias de peixes, manguezais, uma praia, várias ilhotas e muito esporte. Dos dois lados do prolongamento do eixo da Rua Montenegro sobre a Lagoa, entre a água e a calçada, havia uma larga faixa de areia branca, com muitas conchas - mas não tantas que atrapalhassem nossos jogos de futebol, disputados nas manhãs dos fins de semana. Os times eram o meu Grêmio Ipanema (da turma da Alberto de Campos, que eu frequentava), o Nacional ( da garotada da Sadock de Sá e Renato Tavares) e o Superball (da beira da Lagoa, perto da Joana Angélica, onde morava a família Moreira Leite, dona do time). Jogava-se também voleibol na areia em frente ao Shangri-lá (atual Bar Lagoa) e me lembro do Clube Tabajaras, no qual brilhava o Jonjoca, meu querido e inesquecível amigo, mais tarde um craque do Fluminense no esporte da rede. E ainda havia o remo, o iatismo, os pioneiros do esqui aquático, uma infinidade de opções. Isso, sem contar que a “geral” do estádio do Flamengo acabava em cima das suas águas e nos dias de jogo havia uma turma de canoa, encarregada de pegar as bolas chutadas para lá. Podia-se nadar sem problemas na Lagoa, só evitando pisar no desagradável fundo lodoso e nossa grande proeza era a travessia da Montenegro ou da Joana Angélica até a curva do Sacopã, onde hoje está o remo do Botafogo. Ali havia um ótimo restaurante, frequentado pelos meus pais, que servia o melhor filé da minha infância - encimado por uma rodela de manteiga com ervas que ia derretendo lascivamente - e acompanhado por batatas fritas crocantes e douradas. Na Lagoa, pescávamos de caniço e tarrafa ou caçávamos peixes e caranguejos simplesmente deixando um jacá submerso no raso durante algumas semanas, esperando que nossas vítimas lá se entocasssem e de repente puxando-o, correndo, até a areia. Jacá era um grande cesto com tampa, tecido de fibras vegetais grossas, muito usado para transportar verduras (nos bondes taiobas e bagageiros) das hortas para as feiras-livres. Tainhas, savelhas, mamarreis, carás e paratis eram os peixes mais abundantes, assim como os guaiamuns e aratus apareciam como os crustáceos mais comuns. Aves, que eu já citei em blog anterior, também não faltavam. Lá para os lados do Jardim de Alah, em certos dias, a pesca de centenas de tainhas com tarrafas era um acontecimento festivo. À época o Jardim de Alah era muito bem cuidado, com grama e canteiros de flores. Pouco depois do Canal, algumas ilhotas habitadas, com “tendinhas”, onde - diziam as torcidas adversárias - alguns jogadores do Flamengo, fugidos da concentração, tomavam “umas e outras” na véspera dos jogos (especialmente o Vevé, um ponta-esquerda espetacular, do tri de 1944). Quase em frente ao Canal ficava a ilha do Caiçaras, já com suas primeiras construções. Obra de alguns pioneiros de Ipanema, como o avô materno do Marcos Candau, o jornalista Jarbas dos Aymorés Carvalho, sócio n° 2 da ABI (o n° 1 era o famoso Herbert Moses). Na fundação, em 1931, Jarbas foi quem propôs o nome Caiçaras para o Clube, em alusão aos habitantes de nosso litoral. Sua filha, Dona Ena, contava ao filho Marcos que na época a turma jovem ia a nado até a ilha que, antes dos muitos aterros, ficava bem mais afastada do que é hoje o "continente". Depois de muitas incursões, tomaram posse da ilha e lá instalaram uma tenda de lona que foi a primeira sede do clube Caiçaras, hoje uma potência da vida social da zona sul. Tudo isso me foi contado pelo Marcos, que morava e estudava na Suiça (Genebra), até que voltou nos anos 50, para fazer o curso colegial no Mello e Souza. Lembro-me de nosso primeiro encontro, na Alberto de Campos: Marcos montado numa bicicleta marca RENA, cheia de mudanças, sofisticadíssima para nós, nativos, que conversávamos com ele e nos contentávamos com uma simples Monark ou a minha pobre Svalan contrapedal. Já visualizando um novo craque para o Grêmio Ipanema, perguntamos se Marcos jogava futebol e ficamos embasbacados quando declarou – com espantosa naturalidade - que seu esporte favorito, que ele praticava habitualmente na Suiça, era o ciclismo ! No País em que só se jogava futebol, aquilo soou como a resposta de um marciano. Eu até compreendi, por causa do Velo Esportivo Helênico, clube de ciclismo do qual meu pai (como bom europeu) era sócio e que tinha sede no sobrado da Padaria das Famílias, na Visconde de Pirajá 112, ao lado do Café e Bar Ipanema Só muito tempo depois todos presentes perceberiam que Marcos e a Suiça é que tinham razão e que a nossa monocultura futebolística era - e ainda é, mas agora amenizada pela ação do COB - um grande equívoco de País subdesenvolvido, de poucas oportunidades. Claro que a Lagoa também servia para que andássemos de bicicleta, como gostava o Marcos, além de apresentar uma atração imbatível: os pedalinhos, que ficavam junto a um hidroavião, estacionados entre as ruas Henrique Dummont e Anibal de Mendonça. O dono dos pedalinhos, Herbert Çukurs, era aviador letão e seu filho e ajudante se chamava Gunnar. Faziam voos e alugavam os pedalinhos. Pôr do sol, pedalinho, Corcovado, maravilha ! Alegria de todos nós, um dia os pedalinhos deixaram de funcionar, porque seu dono sumiu, depois de acusado de crimes de guerra. Assim era, em pinceladas superficiais, a minha Lagoa - mas ainda há muito mais a contar. Agora, dizem que há sinais de recuperação daquela jóia da qual usufruí, depois de mais de meio século de abandono. Tomara ! Quantas gerações (coitadas !) deixaram de se aproveitar daquela maravilha... A Lagoa dos anos 40 e início dos 50, que a minha geração conheceu e frequentou, era uma festa para muitos gostos ! 2.EDUCAÇÃO VISTA POR UM ENGENHEIRO – Meu colega Harald Hellmuth mandou-me um interessante texto sobre Educação, a qual deveria ser, idealmente, tema rotineiro do cidadão comum brasileiro. Eis seu ensaio: “O assunto educação me faz lembrar uma metáfora de Ortega: De um brilhante só podemos ver sem deformação uma faceta de cada vez; outras estarão sempre deformadas e a maioria não está nem sequer visível. Educação é um assunto sempre atual e sempre desconcertante. Educação e sistemas de educação não saem da "ordem do dia", da agenda da discussão pública. A faceta mais fácil de perceber é a da alfabetização. Um cidadão analfabeto, com raras exceções, está condenado a um tipo velado de escravidão. Não terá aptidões para um trabalho que lhe propicie uma vida com bom nível de conforto. A Revolução Industrial exigiu a alfabetização. Mas só a capacidade de ler e escrever já não é suficiente para o progresso individual e familiar. Por isso insisto que os funcionários do meu condomínio terminem o segundo grau: Quando fui síndico, consegui motivar dois, apoiando um com uma bolsa; agora mobilizamos um terceiro. Há os casos de reticência por falta de auto-confiança. A rigor, já temos nesta primeira abordagem mais de uma faceta. Faz pouco tempo, concordei com uma senhora quando ela afirmou, referindo-se aos filhos casados, que a educação nunca termina. A família evidentemente é uma faceta da educação com ligações a muitas outras, inclusive a da educação - ou liderança - pelo exemplo. Qual é o objetivo da educação? Trata-se de uma questão milenar. Envolve capacitação e comportamento. Não faltaram as tentativas de bitolar os comportamentos, supostamente para garantir a coesão da sociedade. Religiões serviram para este objetivo; o ser invisível que tudo vê e castiga foi uma invenção genial. Durante centenas de gerações, cabeças lumimosas e outras torturadas se esforçaram para "comprovar" a sua existência. Alguma culturas se fundamentaram em preceitos da experiência de comportamentos necessários, percebidos por cidadãos clarividentes: Os filósofos gregos e Confúcio são exemplos. Felipe contratou Aristóteles para educar Alexandre, pagando com a libertação da cidade natal do mestre. Educação sempre teve valor e preço. E também resultados: Alexandre construiu a biblioteca de Alexandria, mais tarde queimada por ordem de cristãos romanos. Conhecimento no domínio do povo, ou de externos a círculos de poder, de longa data foi considerado perigoso. O enciclopedista Diderot também foi reprimido. Mas o ser humano sempre continua guloso por uma "mordida na maçã do conhecimento", como expressa uma das metáforas fundadoras da cultura ocidental.........e sempre que morde, se percebe depois mais perturbado ainda. Freud andou redescobrindo o que a mitologia grega já expressava, dando-se conta que a sua educação....modelar da burguesia culta de sua época....era a causadora de histeria. Galileu, Copérnico, Darwin e Newton são exemplos do aprendizado pelo próprio cidadão, através da observação ingênua. De certa forma, os citados se auto-educaram. Eu disse aos meus filhos que eles têm o caminho da continuação de sua educação em suas próprias mãos. Parece contradizer algumas observações anteriores; fato é que um brilhante tem faces opostas, necessárias para compor o brilhante. A pergunta sobre os objetivos da educação não está respondida com clareza ainda. Uma resposta parcial está na capacitação para a continuação da própria educação, num processo de aperfeiçoamento contínuo. Como a capacitação é fundamentada em conhecimento, a acumulação de conhecimentos é uma parte indispensável do processo de educação....que em princípio não tem fim. Habilidades e treinamento perfazem uma outra parte. Sem esta componente não há desempenho. Isto vale tanto na área militar, como nos esportes e na produção. De longa data, sabe-se que o desempenho resulta da composição de capacitação com comportamento; a própria capacitação é função de comportamento. Por esta razão, características comportamentais estão presentes nos programas de 'treinamento" das organizações. Os comportamentos se referem à percepção da validade das ações, respondem à questão "Como?" e envolvem dever e as instituições - os "não pode" - informais e formais. E para que toda esta trama serve ? Se destina à sobrevivência do cidadão, das organizações, da sociedade e, segundo a percepção mais recente, da Humanidade, através do esforço de sobrevivência de cada um. Esta resposta corresponde a uma visão liberal da condição humana, que dá crédito ao cidadão por procurar contribuições construtivas, reconhecendo a recíproca dependência no contexto em que vive, ou seja, de que o cidadão age percebendo Responsabilidade. A visão oposta à visão liberal é a visão dogmática. A experiência histórica tem demonstrado que resulta em desempenhos inferiores, quando não tem conseqüências catastróficas. Como é complexa a estrutura do brilhante!" HARALD HELLMUTH
26 de out. de 2009
SUSTENTABILIDADE, EDUCAÇÃO E EMPREGO
1. HARALD HELLMUTH foi meu colega na Escola Nacional de Engenharia nos anos 50. Trancou a matrícula depois de concluir o terceiro ano e foi para a Alemanha. Como ele diz: “até então frequentava o Arpoador - ainda não havia favelas nos Dois Irmãos e via-se o Cristo Redentor. Morei aos pés deste no Cosme Velho. Formei-me em Hannover, bem mais tarde que a " nossa turma". Trabalhei por lá, só regressando para São Paulo em 1978/9 pela Siemens, a qual me aposentou em 2002. A maior parte do tempo trabalhei em assuntos ligados a energia. Então fui me introduzindo no tema Sustentabilidade, começando pelo estudo do Terceiro Setor. Cursei a ADESG e uma pós-graduação pelo NAIPPE / USP - ADESG / SP sobre “Políticas e Estratégias”. O tema foi "Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável". Minha percepção do Brasil é cunhada pelo interior, no contexto das hidrelétricas, das usinas de açúcar e álcool e de outras termelétricas”. A experiência de Harald é muito rica.
2. Recebi com prazer sua contribuição para este blog, sobre o tema “Sustentabilidade”, no contexto da aspiração de todos nós, visando construir um País melhor. Muito preocupado com as posições e compromissos que o Brasil vai assumir em Copenhagen, na 15ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, Harald explica. “Por incrível que pareça, há neste País uma reticência - que beira à rejeição - de acusar os grileiros de ladrões de terras (que são patrimônio do Estado), como se isto fosse um “delito de cavalheiro”. Até parece uma confissão de que todos gostariam de "levar uma vantagem ilegal". E quanto aos políticos - mesmo os que dão uma contribuição respeitável à causa ambiental - não acusam outros políticos. Os participantes neste caldo cultural, pressionados pela expectativa global, procuram por uma proposta enganosa para apresentar como "grande avanço" em Copenhagen e se deixarem festejar por ela. Ninguém repara que a proposta brasileira de redução do desmatamento em 80%, até 2020, significa que até lá a farra do desmatamento continuará sendo permitida aos "amigos", sacrificando extensíssimas áreas florestais. Que por outro lado o pessoal se vanglorie da "riqueza da biodiversidade" é um contrassenso em que também não se repara. Além do oportunismo bandido, existe um problema real: como melhorar a vida dos pobres que habitam a floresta.....e o Nordeste? As “bolsas” do Governo Federal - subsídios para consumo - são paliativos, mas não transformarão os recebedores em cidadãos livres e capacitados a uma vida em condições de conforto mínimo. Este aspecto não está presente na discussão política ou na mídia. Só se fala dos 20 milhões de habitantes na Amazônia, dos quais cerca de 7 milhões vivem na floresta como ribeirinhos ou assentados. E você, como engenheiro e economista, sabe que a floresta não oferece oportunidades de trabalho que gerem renda suficiente para financiar as tais condições de vida desejáveis. Mas, no caldo cultural, isto é percebido como "algo natural"....pois sempre foi assim. Os índios vivem nus, comendo o que o mato der..........não é verdade? Mas na China, promotora das últimas Olimpíadas, não se pensa assim. Lá criaram cidades na zona costeira, onde se oferecem ocupações urbanas - industriais e em serviços - com as quais já resgataram da pobreza rural - do plantio familiar que mal dá para a subsistência - 400 milhões de seus habitantes. Aqui se teria de resgatar diretamente talvez 10 a 30 milhões "apenas". Temos o minério, temos a energia, temos terras degradadas onde só vicejaria a floresta replantada - devido à pluviosidade - mas não temos a idéia, nem fantasia para copiar. Veja: nem "colar"..........repetir o "benchmark", se sabe! Eu sonho (mas não sei como realizar), que na mídia dos blogs, sites, twiters etc circulasse a pergunta: Por quê não "colamos" dos chineses a fundação de centros urbanos industriais na costa da região Norte e Nordeste, onde inicialmente beneficiaríamos os minérios - por exemplo produzindo "aço verde" - e fabricaríamos papel e celulose?" Esta seria a base social para as metas simultâneas de "desmatamento zero já" e "reflorestamentos intensivos já", que nos permitiriam comprometer metas de redução de emissões de carbono de 50% até 2015 e de emissões próximas a 0 em 2020, com crescimento econômico. Estaríamos então, simplesmente, desempenhando a nossa Responsabilidade diante da comunidade global, de contribuir o melhor possível com o destino da Humanidade. E o faríamos no interesse próprio de terminar com a vergonhosa pobreza em terras onde a pobreza não faz nenhum sentido na fase atual do desenvolvimento mundial”.
3. ENEM virou ENEMA (ENEM ADIADO) e frustou milhares de estudantes. Agora penaliza os contribuintes. Os custos adicionais decorrentes do vazamento da prova já somam R$ 130 milhões, quantia que o MEC vai pagar ao consórcio e à gráfica que vão refazer o trabalho anterior, frustrado pela fraude. Por outro lado, a Polícia Rodoviária Federal acaba de demonstrar que o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), em verdade, É NADA, porque está também sujeito às fraudes mais elementares. Afinal, esses exames servem efetivamente para avaliar alguma coisa ou existem apenas para estar de acordo com a moda inaugurada pelas instituições internacionais, lideradas pela OECD ? Até porque a metodologia adotada já deveria ter evoluído – o que não ocorreu. Mesmo sem considerar a fraude – que parece onipresente - a diagnose do processo educacional pela avaliação exclusiva do produto (o aluno depois de aprovado ou diplomado) é extremamente discutível sob o aspecto técnico. Pelo menos para quem conhece realmente o assunto...
4. Em setembro de 2009 foram gerados 252.617 empregos formais no Brasil, ainda um número menor que o observado no mesmo mês de 2008, quando foram criados 282.841 postos de trabalho. Nos três primeiros trimestres de 2009 o Brasil atingiu o saldo acumulado de 932.651 trabalhadores colocados. Alcançamos certa estabilidade nos últimos seis meses, em que sempre geramos acima de 100 mil empregos com carteira assinada por mês, o que consolida a idéia de que a economia brasileira entrou no ciclo ascendente de crescimento e o fundo do poço foi ultrapassado. Idéia reforçada pelo fato de a Indústria de Transformação – o motor do desenvolvimento - ter gerado mais empregos em setembro de 2009 (123.318) do que em setembro de 2008 (114.002). Finalmente, o setor saiu do saldo negativo no acumulado do ano: de janeiro a setembro a Indústria gerou 62.759 postos de trabalho. Em outubro e novembro de 2009 o saldo da geração de empregos ainda será positivo mas dezembro deve assinalar mais demissões do que admissões. De qualquer modo estamos melhor que a maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, embora muito atrás dos chineses.
2. Recebi com prazer sua contribuição para este blog, sobre o tema “Sustentabilidade”, no contexto da aspiração de todos nós, visando construir um País melhor. Muito preocupado com as posições e compromissos que o Brasil vai assumir em Copenhagen, na 15ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em dezembro, Harald explica. “Por incrível que pareça, há neste País uma reticência - que beira à rejeição - de acusar os grileiros de ladrões de terras (que são patrimônio do Estado), como se isto fosse um “delito de cavalheiro”. Até parece uma confissão de que todos gostariam de "levar uma vantagem ilegal". E quanto aos políticos - mesmo os que dão uma contribuição respeitável à causa ambiental - não acusam outros políticos. Os participantes neste caldo cultural, pressionados pela expectativa global, procuram por uma proposta enganosa para apresentar como "grande avanço" em Copenhagen e se deixarem festejar por ela. Ninguém repara que a proposta brasileira de redução do desmatamento em 80%, até 2020, significa que até lá a farra do desmatamento continuará sendo permitida aos "amigos", sacrificando extensíssimas áreas florestais. Que por outro lado o pessoal se vanglorie da "riqueza da biodiversidade" é um contrassenso em que também não se repara. Além do oportunismo bandido, existe um problema real: como melhorar a vida dos pobres que habitam a floresta.....e o Nordeste? As “bolsas” do Governo Federal - subsídios para consumo - são paliativos, mas não transformarão os recebedores em cidadãos livres e capacitados a uma vida em condições de conforto mínimo. Este aspecto não está presente na discussão política ou na mídia. Só se fala dos 20 milhões de habitantes na Amazônia, dos quais cerca de 7 milhões vivem na floresta como ribeirinhos ou assentados. E você, como engenheiro e economista, sabe que a floresta não oferece oportunidades de trabalho que gerem renda suficiente para financiar as tais condições de vida desejáveis. Mas, no caldo cultural, isto é percebido como "algo natural"....pois sempre foi assim. Os índios vivem nus, comendo o que o mato der..........não é verdade? Mas na China, promotora das últimas Olimpíadas, não se pensa assim. Lá criaram cidades na zona costeira, onde se oferecem ocupações urbanas - industriais e em serviços - com as quais já resgataram da pobreza rural - do plantio familiar que mal dá para a subsistência - 400 milhões de seus habitantes. Aqui se teria de resgatar diretamente talvez 10 a 30 milhões "apenas". Temos o minério, temos a energia, temos terras degradadas onde só vicejaria a floresta replantada - devido à pluviosidade - mas não temos a idéia, nem fantasia para copiar. Veja: nem "colar"..........repetir o "benchmark", se sabe! Eu sonho (mas não sei como realizar), que na mídia dos blogs, sites, twiters etc circulasse a pergunta: Por quê não "colamos" dos chineses a fundação de centros urbanos industriais na costa da região Norte e Nordeste, onde inicialmente beneficiaríamos os minérios - por exemplo produzindo "aço verde" - e fabricaríamos papel e celulose?" Esta seria a base social para as metas simultâneas de "desmatamento zero já" e "reflorestamentos intensivos já", que nos permitiriam comprometer metas de redução de emissões de carbono de 50% até 2015 e de emissões próximas a 0 em 2020, com crescimento econômico. Estaríamos então, simplesmente, desempenhando a nossa Responsabilidade diante da comunidade global, de contribuir o melhor possível com o destino da Humanidade. E o faríamos no interesse próprio de terminar com a vergonhosa pobreza em terras onde a pobreza não faz nenhum sentido na fase atual do desenvolvimento mundial”.
3. ENEM virou ENEMA (ENEM ADIADO) e frustou milhares de estudantes. Agora penaliza os contribuintes. Os custos adicionais decorrentes do vazamento da prova já somam R$ 130 milhões, quantia que o MEC vai pagar ao consórcio e à gráfica que vão refazer o trabalho anterior, frustrado pela fraude. Por outro lado, a Polícia Rodoviária Federal acaba de demonstrar que o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), em verdade, É NADA, porque está também sujeito às fraudes mais elementares. Afinal, esses exames servem efetivamente para avaliar alguma coisa ou existem apenas para estar de acordo com a moda inaugurada pelas instituições internacionais, lideradas pela OECD ? Até porque a metodologia adotada já deveria ter evoluído – o que não ocorreu. Mesmo sem considerar a fraude – que parece onipresente - a diagnose do processo educacional pela avaliação exclusiva do produto (o aluno depois de aprovado ou diplomado) é extremamente discutível sob o aspecto técnico. Pelo menos para quem conhece realmente o assunto...
4. Em setembro de 2009 foram gerados 252.617 empregos formais no Brasil, ainda um número menor que o observado no mesmo mês de 2008, quando foram criados 282.841 postos de trabalho. Nos três primeiros trimestres de 2009 o Brasil atingiu o saldo acumulado de 932.651 trabalhadores colocados. Alcançamos certa estabilidade nos últimos seis meses, em que sempre geramos acima de 100 mil empregos com carteira assinada por mês, o que consolida a idéia de que a economia brasileira entrou no ciclo ascendente de crescimento e o fundo do poço foi ultrapassado. Idéia reforçada pelo fato de a Indústria de Transformação – o motor do desenvolvimento - ter gerado mais empregos em setembro de 2009 (123.318) do que em setembro de 2008 (114.002). Finalmente, o setor saiu do saldo negativo no acumulado do ano: de janeiro a setembro a Indústria gerou 62.759 postos de trabalho. Em outubro e novembro de 2009 o saldo da geração de empregos ainda será positivo mas dezembro deve assinalar mais demissões do que admissões. De qualquer modo estamos melhor que a maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, embora muito atrás dos chineses.
Marcadores:
educação,
emprego,
Sustentabilidade
20 de out. de 2009
DIA DO PROFESSOR NO BRASIL
1. Maria de Souza tinha muito o que dizer sobre a vida e o amor, mas sua alma poética estava aprisionada pelas circunstâncias existenciais. Itamar Ribeiro da Silva era um jovem sonhador, queria ir para a cidade grande, mas precisava saber mais. Osmarina Silva via com tristeza a destruição da floresta grande e queria defendê-la, mas faltavam-lhe vez e voz.
2. Um dia chegou em suas vidas aquela pessoa amiga, de fala fácil, que morava ali ao lado, convidando para a aventura do saber, para conhecer o mundo lá fora. Era o alfabetizador com suas novidades: MOBRAL, primeiras letras e muito mais... Agente mais próximo do povo, que ia procurar os necessitados e convencê-los a frequentar as classes, para depois caminhar com eles na árdua estrada do conhecimento, o alfabetizador era a personificação da solidariedade humana, que trabalhava por uma modesta ajuda de custo, prestando grandes serviços ao Brasil. E que promoveu o milagre da transformação!
3. Maria de Souza virou poetisa e publicou seu primeiro livro em 1976. Itamar foi para o Rio e é um dos Gerentes do Chaika de Ipanema. Osmarina Silva foi Ministra do Meio Ambiente e é candidata à Presidência da República. Foram alfabetizados no MOBRAL.
4. Só para exemplificar a grandeza dessa gente, a alfabetizadora de Marina lhe disse um dia, lá pelo terceiro mês do curso de alfabetização: “você aprende rápido, vai amanhã mesmo para a Educação Integrada, o curso primário do MOBRAL”. Bem treinada, usando da flexibilidade que o MOBRAL permitia, foi decisiva, abreviando a caminhada da aluna e motivando-a a voos amplos.
5. Assim eram e assim foram sempre para mim, nos nove anos em que dirigi o MOBRAL: os construtores daquela base sólida de nossa educação continuada, nos quais depositamos nossa total confiança, nunca desmerecida. Nos tempos de maior atividade da instituição, chegaram a ser 150 mil a cada semestre, cobrindo o extenso território brasileiro com uma capilaridade jamais atingida por qualquer outra instituição pública. Mesmo nessa proporção gigantesca, jamais tive notícia de qualquer problema com esse imenso contingente humano.
6. José Trabulsi exerceu várias atividades no MOBRAL lá no interior do Maranhão e me escreveu no Dia do Professor, um pouco decepcionado com o que viu e ouviu na mídia: “e isto me levou a pensar sobre os nossos alfabetizadores que estão por aí no anonimato; Foi quando ...... lembrei-me do senhor como a pessoa que comandou a maior rede de professores deste Brasil. Não sei se estou pedindo demais, gostaria que o senhor escrevesse alguma coisa no seu blog, referente a estes desbravadores da educação. Vi também alguma coisa , mostrando uma senhora idosa que estava em uma sala de alfabetização - sei que é o governo, querendo acentuar vantagens para o povo. Quantos milhares de idosos, ainda nos anos 70, colocamos em sala de aula e alfabetizamos - salas de aula em casas de fazer farinha, casas de vacarias, etc, antes sem luz elétrica e apenas lamparinas, fogueiras e fachos de azeites de coco babaçú. Depois o Mobral mandou candeeiros, lampiões a gás; enviou óculos, merenda etc. Sei de tudo porque fazia mobilização, supervisão e implantava salas de aula, como membro da Comissão Municipal e animador. Hoje, quantos advogados, médicos, professores, poetas, escritores, até ministros, passaram pelo Mobral... ”
7. José Trabulsi tem razão. O Dia do Professor me pareceu realmente melancólico, puxando esse enorme contingente profissional para o fundo, negando-lhe o prestígio social que já foi o seu patrimônio mais caro. Começou com a entrevista a VEJA de Martin Carnoy, especialista americano em educação, atirando sobre os ombros do professorado todo o ônus da deficiência de qualidade da educação brasileira. Acusando nossos docentes de falta de qualificação para o magistério, por terem sido doutrinados politicamente em vez de equipados com os conteúdos objetivos que deveriam transmitir a seus alunos - o que não fazem, segundo ele. Culpando-os pela adoção de teorias que recitam sem conhecimento de causa, disfarçando a debilidade de sua formação. Depois, no próprio dia comemorativo, o refrão na mídia foi sempre acerca da baixa qualidade de nossa educação e a responsabilidade dos mestres nesse desastre nacional. Posso concordar com muito do que se diz, mas gostaria de lembrar que embora muito importante, o professor é apenas parte do processo educacional . A educação depende também do próprio aluno (com todas suas deficiências), da gestão de cada escola, das características materiais desse espaço, da administração do sistema como um todo. Assim como o docente é influenciado pelas condições de sua formação escolar, da estruturação da carreira do magistério (salários, progressão profissional, incentivos tangíveis e intangíveis, aposentadoria etc) e pela orientação pedagógica recebida dos escalões superiores (MEC, Secretarias Estaduais e Municipais etc). As culpas devem ser criteriosamente divididas e temos que dar maiores incentivos aos nossos professores, implantar e aplicar-lhes os princípios da meritocracia, aprender com os países vitoriosos no setor educacional. É um problema de salvação nacional...
2. Um dia chegou em suas vidas aquela pessoa amiga, de fala fácil, que morava ali ao lado, convidando para a aventura do saber, para conhecer o mundo lá fora. Era o alfabetizador com suas novidades: MOBRAL, primeiras letras e muito mais... Agente mais próximo do povo, que ia procurar os necessitados e convencê-los a frequentar as classes, para depois caminhar com eles na árdua estrada do conhecimento, o alfabetizador era a personificação da solidariedade humana, que trabalhava por uma modesta ajuda de custo, prestando grandes serviços ao Brasil. E que promoveu o milagre da transformação!
3. Maria de Souza virou poetisa e publicou seu primeiro livro em 1976. Itamar foi para o Rio e é um dos Gerentes do Chaika de Ipanema. Osmarina Silva foi Ministra do Meio Ambiente e é candidata à Presidência da República. Foram alfabetizados no MOBRAL.
4. Só para exemplificar a grandeza dessa gente, a alfabetizadora de Marina lhe disse um dia, lá pelo terceiro mês do curso de alfabetização: “você aprende rápido, vai amanhã mesmo para a Educação Integrada, o curso primário do MOBRAL”. Bem treinada, usando da flexibilidade que o MOBRAL permitia, foi decisiva, abreviando a caminhada da aluna e motivando-a a voos amplos.
5. Assim eram e assim foram sempre para mim, nos nove anos em que dirigi o MOBRAL: os construtores daquela base sólida de nossa educação continuada, nos quais depositamos nossa total confiança, nunca desmerecida. Nos tempos de maior atividade da instituição, chegaram a ser 150 mil a cada semestre, cobrindo o extenso território brasileiro com uma capilaridade jamais atingida por qualquer outra instituição pública. Mesmo nessa proporção gigantesca, jamais tive notícia de qualquer problema com esse imenso contingente humano.
6. José Trabulsi exerceu várias atividades no MOBRAL lá no interior do Maranhão e me escreveu no Dia do Professor, um pouco decepcionado com o que viu e ouviu na mídia: “e isto me levou a pensar sobre os nossos alfabetizadores que estão por aí no anonimato; Foi quando ...... lembrei-me do senhor como a pessoa que comandou a maior rede de professores deste Brasil. Não sei se estou pedindo demais, gostaria que o senhor escrevesse alguma coisa no seu blog, referente a estes desbravadores da educação. Vi também alguma coisa , mostrando uma senhora idosa que estava em uma sala de alfabetização - sei que é o governo, querendo acentuar vantagens para o povo. Quantos milhares de idosos, ainda nos anos 70, colocamos em sala de aula e alfabetizamos - salas de aula em casas de fazer farinha, casas de vacarias, etc, antes sem luz elétrica e apenas lamparinas, fogueiras e fachos de azeites de coco babaçú. Depois o Mobral mandou candeeiros, lampiões a gás; enviou óculos, merenda etc. Sei de tudo porque fazia mobilização, supervisão e implantava salas de aula, como membro da Comissão Municipal e animador. Hoje, quantos advogados, médicos, professores, poetas, escritores, até ministros, passaram pelo Mobral... ”
7. José Trabulsi tem razão. O Dia do Professor me pareceu realmente melancólico, puxando esse enorme contingente profissional para o fundo, negando-lhe o prestígio social que já foi o seu patrimônio mais caro. Começou com a entrevista a VEJA de Martin Carnoy, especialista americano em educação, atirando sobre os ombros do professorado todo o ônus da deficiência de qualidade da educação brasileira. Acusando nossos docentes de falta de qualificação para o magistério, por terem sido doutrinados politicamente em vez de equipados com os conteúdos objetivos que deveriam transmitir a seus alunos - o que não fazem, segundo ele. Culpando-os pela adoção de teorias que recitam sem conhecimento de causa, disfarçando a debilidade de sua formação. Depois, no próprio dia comemorativo, o refrão na mídia foi sempre acerca da baixa qualidade de nossa educação e a responsabilidade dos mestres nesse desastre nacional. Posso concordar com muito do que se diz, mas gostaria de lembrar que embora muito importante, o professor é apenas parte do processo educacional . A educação depende também do próprio aluno (com todas suas deficiências), da gestão de cada escola, das características materiais desse espaço, da administração do sistema como um todo. Assim como o docente é influenciado pelas condições de sua formação escolar, da estruturação da carreira do magistério (salários, progressão profissional, incentivos tangíveis e intangíveis, aposentadoria etc) e pela orientação pedagógica recebida dos escalões superiores (MEC, Secretarias Estaduais e Municipais etc). As culpas devem ser criteriosamente divididas e temos que dar maiores incentivos aos nossos professores, implantar e aplicar-lhes os princípios da meritocracia, aprender com os países vitoriosos no setor educacional. É um problema de salvação nacional...
Marcadores:
Alfabetizador,
educação,
MOBRAL
23 de set. de 2009
Conhecimento, Educação, UNESCO, F1 e Drogas
1. A luta vitoriosa pela vida do adolescente do interior pernambucano, acometido de raiva humana – doença tida como incurável - encerra várias lições, a mais importante delas sendo o valor incomensurável da geração e difusão do conhecimento. Usando o Protocolo de Milwaukee (USA) para o tratamento, os jovens profissionais brasileiros da área de saúde, competentes e dedicados, lograram esse feito notável, mesmo com os recursos limitados de um modesto hospital público de Recife. Conhecimento, o mais importante fator de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida no século XXI. Alguém ainda duvida ? Parece...
2. A receita para chegar lá começa com um sistema público de ensino fundamental de qualidade para toda população. Massificar a busca e o aproveitamento de talentos em todas as classes sociais, esse é o objetivo a perseguir. E isso o Brasil nem de longe faz. Nossa realidade é um sistema público que universalizou um ensino fundamental de quinta categoria, excluindo desde cedo pobres e remediados que o frequentam e destinando-os a um futuro medíocre com muita bolsa-família ou cotas enganadoras em Universidades que aqliás se deteriorarão a médio prazo. Quantos talentos o Brasil perde por essa odiosa discriminação !
3. Em texto deste blog intitulado “Brasil Não Sabe Votar”, postado em 26/05/2009, mencionei o apoio equivocado do Brasil ao candidato egípcio à Diretoria-Geral da UNESCO, em detrimento da candidatura - que então surgia - de um brasileiro. A eleição foi realizada e o candidato egípcio, apoiado pela diplomacia do Brasil, foi derrotado pela búlgara Irina Bokova que será a primeira mulher a dirigir a instituição. Irina Bokova é um remanescente da elite comunista búlgara, com uma formação intelectual e profissional esmerada, da qual se espera que faça a UNESCO voltar à normalidade, porque nos últimos anos a instituição foi muito mais atuante na ação política, estéril, do que em educação, ciência e cultura, a que deveria dedicar-se de acordo com seus objetivos constitutivos de agência especializada da ONU.
4. Tenho um amigo que é um cínico, na acepção filosófica do termo. Em sua última “tirada” de humor ele me afirmou que “de agora em diante só acreditarei em acidentes nas corridas de Fórmula I quando houver mortos e feridos – de preferência mortos... “
5. Estou lendo o livro “Escolas, Conhecimentos e Culturas”, de Adelia Maria Koff, que foi Gerente-Pedagógica do MOBRAL. A introdução é de Vera Maria Candau, uma educadora competente que se caracteriza por ser discreta como todos os bons profissionais e por isso não recebe as homenagens que merece pelo seu trabalho. Vera Candau faz uma defesa apaixonada da Escola como o espaço privilegiado do processo educativo – aquele, segundo ela, que permite que o mesmo se desenvolva em sua plenitude. Fez-me lembrar dos anos 60 e 70, quando Ivan Illich pontificou, de certa forma escandalizando os meios educacionais, ao advogar a desescolarização do ensino. Illich, assim como Piaget, foi meu colega no reduzido grupo de profissionais que a UNESCO convidou a escrever monografias para subsidiar os trabalhos da Comissão FAURE - que produziu a memorável obra “APRENDER A SER”. Brilhante, polêmico, Illich adorava “épater les bourgeois” e a mídia. Era um cético em relação à efetividade das instituições em geral.
6. O blog de Roberto Pimentel www.robertoapimentel.blogspot.com certamente proporcionará bons momentos de reflexão aos seus leitores, especialmente os interessados em ensino, voleibol, esportes e educação física em geral. Visitem e não se arrependerão...
7. A posição do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as drogas, visando proteger seus usuários, segue a lógica de sua omissão no combate ao tráfico quando era Governo. Foi nesse período que os traficantes fizeram o seu maior progresso e criaram espaços onde a Lei não entra. Fazer um lobby dessa importância, no fundo para evitar a indispensável repressão aos viciados, que financiam os traficantes, faz-nos crer que FHC desistiu de sua aspiração maior, de ser considerado um estadista – uma pretensão inatingível para um governante que nunca saiu do muro.
2. A receita para chegar lá começa com um sistema público de ensino fundamental de qualidade para toda população. Massificar a busca e o aproveitamento de talentos em todas as classes sociais, esse é o objetivo a perseguir. E isso o Brasil nem de longe faz. Nossa realidade é um sistema público que universalizou um ensino fundamental de quinta categoria, excluindo desde cedo pobres e remediados que o frequentam e destinando-os a um futuro medíocre com muita bolsa-família ou cotas enganadoras em Universidades que aqliás se deteriorarão a médio prazo. Quantos talentos o Brasil perde por essa odiosa discriminação !
3. Em texto deste blog intitulado “Brasil Não Sabe Votar”, postado em 26/05/2009, mencionei o apoio equivocado do Brasil ao candidato egípcio à Diretoria-Geral da UNESCO, em detrimento da candidatura - que então surgia - de um brasileiro. A eleição foi realizada e o candidato egípcio, apoiado pela diplomacia do Brasil, foi derrotado pela búlgara Irina Bokova que será a primeira mulher a dirigir a instituição. Irina Bokova é um remanescente da elite comunista búlgara, com uma formação intelectual e profissional esmerada, da qual se espera que faça a UNESCO voltar à normalidade, porque nos últimos anos a instituição foi muito mais atuante na ação política, estéril, do que em educação, ciência e cultura, a que deveria dedicar-se de acordo com seus objetivos constitutivos de agência especializada da ONU.
4. Tenho um amigo que é um cínico, na acepção filosófica do termo. Em sua última “tirada” de humor ele me afirmou que “de agora em diante só acreditarei em acidentes nas corridas de Fórmula I quando houver mortos e feridos – de preferência mortos... “
5. Estou lendo o livro “Escolas, Conhecimentos e Culturas”, de Adelia Maria Koff, que foi Gerente-Pedagógica do MOBRAL. A introdução é de Vera Maria Candau, uma educadora competente que se caracteriza por ser discreta como todos os bons profissionais e por isso não recebe as homenagens que merece pelo seu trabalho. Vera Candau faz uma defesa apaixonada da Escola como o espaço privilegiado do processo educativo – aquele, segundo ela, que permite que o mesmo se desenvolva em sua plenitude. Fez-me lembrar dos anos 60 e 70, quando Ivan Illich pontificou, de certa forma escandalizando os meios educacionais, ao advogar a desescolarização do ensino. Illich, assim como Piaget, foi meu colega no reduzido grupo de profissionais que a UNESCO convidou a escrever monografias para subsidiar os trabalhos da Comissão FAURE - que produziu a memorável obra “APRENDER A SER”. Brilhante, polêmico, Illich adorava “épater les bourgeois” e a mídia. Era um cético em relação à efetividade das instituições em geral.
6. O blog de Roberto Pimentel www.robertoapimentel.blogspot.com certamente proporcionará bons momentos de reflexão aos seus leitores, especialmente os interessados em ensino, voleibol, esportes e educação física em geral. Visitem e não se arrependerão...
7. A posição do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as drogas, visando proteger seus usuários, segue a lógica de sua omissão no combate ao tráfico quando era Governo. Foi nesse período que os traficantes fizeram o seu maior progresso e criaram espaços onde a Lei não entra. Fazer um lobby dessa importância, no fundo para evitar a indispensável repressão aos viciados, que financiam os traficantes, faz-nos crer que FHC desistiu de sua aspiração maior, de ser considerado um estadista – uma pretensão inatingível para um governante que nunca saiu do muro.
Marcadores:
educação,
F1 e Drogas,
SAÚDE,
UNESCO
10 de jul. de 2009
RECRUTANDO FUTUROS CRAQUES
1. Praia de Ipanema, Montenegro, férias no início de 1953. A garotada ficava horas nadando ou “pegando jacaré” (o avô do surfe) e ao sair da água deitava de bruços, puxava a areia quentinha para aquecer o peito gelado e assistia à partida de voleibol. Naquele dia faltava jogador... Corrente (Hélio Cerqueira) – então técnico do voleibol feminino do Fluminense - era um dos parceiros impacientes e perguntou ao garoto deitado ao lado da quadra se podia ficar temporariamente como levantador.
2. Depois de um “set” bem jogado, foi tudo muito rápido. Na hora, recebi um convite para jogar no Fluminense e no domingo seguinte, levado pelo técnico do voleibol masculino do clube, Paulo Azeredo, fiz o primeiro treino entre os juvenis. Comecei como levantador, reserva do Ronaldo Ferreira Gomes e do Paulo Alberto Monteiro de Barros. Nas férias seguintes cresci muito e virei cortador. Foram 20 anos jogando oficialmente pelo Fluminense, muitos campeonatos ganhos, até alcançar a honra máxima de defender a Seleção Principal Brasileira de Voleibol e ganhar medalha de prata nos Jogos Panamericanos de Chicago em 1959. Curioso que o esporte de que eu gostava mesmo era o futebol e tudo ocorreu por acaso, aleatoriamente, por estar em um certo lugar, em determinado momento e por pertencer à classe média - pois éramos amadores e nossas famílias arcavam com o ônus da prática desportiva.
3. Hoje, no voleibol, é tudo diferente e começa muito mais cedo e não aos 15 anos de idade como no meu caso. Houve uma fase intermediária antes do profissionalismo, em que uns poucos técnicos abnegados, como o querido Benedito Silva, corriam quadras e praias, incansáveis, à busca de talentos. Bené levou famílias inteiras para o voleibol do Fluminense – como os Barata e os Gabino, por exemplo – e revelou muitos craques. Foi tão bem sucedido que na Seleção Brasileira da “geração de prata”, em certo momento, havia quatro jogadores descobertos por ele: Bernard, Bernardinho (o técnico imbatível), Fernandão e Badalhoca. Mas era tudo muito artesanal.
4. Agora, prevalece a massificação planejada e estruturada pela Confederação Brasileira de Voleibol, com muita mídia, escolinhas, “peneiras”, bons salários e excelentes Comissões Técnicas. Há jogadores de todas as classes sociais e o Brasil tornou-se uma potência voleibolista mundial. Os feitos de Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça são impressionantes.
5. Por outras razões, as conquistas brasileiras na descoberta e formação de jogadores de futebol são mais antigas e espetaculares. Nosso País é a maior potência nesse esporte há décadas. Neste caso , por força de cem anos de profissionalismo, da paixão popular generalizada pelo futebol e de um empenho coletivo que começa na base, nas “peladas” da criançada, segue nas escolinhas comunitárias, passa pelas várzeas e vai desembocar nos principais clubes do Brasil, para afinal ganhar o mundo todo. No início, a família pobre do garoto promissor ganha uma cesta básica do “olheiro” local. Depois o “dono” do time da comunidade passa a dar-lhes algum dinheiro, já de olho no “contrato de gaveta” que vai assegurar seus “direitos de formação” sobre os ganhos do futuro craque. Aí entra o empresário e o processo se acelera. A globalização chegou cedo ao futebol no Brasil. A demanda pelos nossos jogadores é planetária e a remuneração compensadora.
6. Nos demais segmentos do mercado de trabalho não existe nada disso. Nem mesmo nas funções estratégicas, monopólio da classe média. As vocações vão surgindo e se colocando aleatoriamente, sem planejamento, estímulos ou incentivos da sociedade e das autoridades constituídas. Como no voleibol da minha adolescência. Uma lástima !
7. C laro que o Brasil seria outro País se para todos os setores da vida nacional procurássemos talentos como no voleibol – pelo planejamento - ou como no futebol – pela convergência da vontade coletiva. Mas a condição sine qua non para isso acontecer seria pela universalização de uma educação de qualidade ! Não se reconhece e revela talentos em uma escola deficiente, com gestão displicente e professores desmotivados.
8. O futebol, com toda razão, é visto pelas famílias mais pobres de nosso País como um dos poucos canais promissores de ascenção social no Brasil – talvez o único. E estão certíssimas! Não será com uma educação pública tão fraca como a nossa, de qualidade em certos casos até vergonhosa, que as crianças e adolescentes pobres construirão para si um futuro promissor. Só por exceção, para justificar a triste regra. Para as famílias brasileiras, em geral, a educação não é relevante, não é o caminho para o sucesso. Estão certíssimas !
9. O Brasil será potência mundial, plenamente desenvolvida e com um povo feliz, com boa qualidade de vida, quando todos os segmentos empresariais e governamentais estiverem mobilizados para descobrir precocemente os futuros grandes cientistas, profissionais, tecnólogos e professores – os agentes promotores do progresso humano e material.
10. Sem a busca incessante do talento, do seu aproveitamento pleno e do reconhecimento do mérito, obedecendo às forças do mercado, seremos sempre o “País do Futuro”.
11. Osmarina Silva era uma jovem acreana analfabeta que frequentava a classe do MOBRAL. Após três meses de curso, sua alfabetizadora – seguindo a orientação do treinamento recebido e percebendo o talento daquela aluna – encaminhou-a imediatamente para o Curso de Educação Integrada (um primário compactado), embora a alfabetização durasse 5 meses. Talvez por esse estímulo, a moça galgou rapidamente a escala educacional e hoje é a Senadora Marina Silva, do PT do Acre, ex-Ministra do Meio Ambiente. Aquela modesta alfabetizadora mudou seu destino, graças à sua perspicácia e ao treinamento recebido no MOBRAL – o primeiro sistema de educação continuada implantado no Brasil, assim que esse conceito surgiu e se firmou no plano internacional.
2. Depois de um “set” bem jogado, foi tudo muito rápido. Na hora, recebi um convite para jogar no Fluminense e no domingo seguinte, levado pelo técnico do voleibol masculino do clube, Paulo Azeredo, fiz o primeiro treino entre os juvenis. Comecei como levantador, reserva do Ronaldo Ferreira Gomes e do Paulo Alberto Monteiro de Barros. Nas férias seguintes cresci muito e virei cortador. Foram 20 anos jogando oficialmente pelo Fluminense, muitos campeonatos ganhos, até alcançar a honra máxima de defender a Seleção Principal Brasileira de Voleibol e ganhar medalha de prata nos Jogos Panamericanos de Chicago em 1959. Curioso que o esporte de que eu gostava mesmo era o futebol e tudo ocorreu por acaso, aleatoriamente, por estar em um certo lugar, em determinado momento e por pertencer à classe média - pois éramos amadores e nossas famílias arcavam com o ônus da prática desportiva.
3. Hoje, no voleibol, é tudo diferente e começa muito mais cedo e não aos 15 anos de idade como no meu caso. Houve uma fase intermediária antes do profissionalismo, em que uns poucos técnicos abnegados, como o querido Benedito Silva, corriam quadras e praias, incansáveis, à busca de talentos. Bené levou famílias inteiras para o voleibol do Fluminense – como os Barata e os Gabino, por exemplo – e revelou muitos craques. Foi tão bem sucedido que na Seleção Brasileira da “geração de prata”, em certo momento, havia quatro jogadores descobertos por ele: Bernard, Bernardinho (o técnico imbatível), Fernandão e Badalhoca. Mas era tudo muito artesanal.
4. Agora, prevalece a massificação planejada e estruturada pela Confederação Brasileira de Voleibol, com muita mídia, escolinhas, “peneiras”, bons salários e excelentes Comissões Técnicas. Há jogadores de todas as classes sociais e o Brasil tornou-se uma potência voleibolista mundial. Os feitos de Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça são impressionantes.
5. Por outras razões, as conquistas brasileiras na descoberta e formação de jogadores de futebol são mais antigas e espetaculares. Nosso País é a maior potência nesse esporte há décadas. Neste caso , por força de cem anos de profissionalismo, da paixão popular generalizada pelo futebol e de um empenho coletivo que começa na base, nas “peladas” da criançada, segue nas escolinhas comunitárias, passa pelas várzeas e vai desembocar nos principais clubes do Brasil, para afinal ganhar o mundo todo. No início, a família pobre do garoto promissor ganha uma cesta básica do “olheiro” local. Depois o “dono” do time da comunidade passa a dar-lhes algum dinheiro, já de olho no “contrato de gaveta” que vai assegurar seus “direitos de formação” sobre os ganhos do futuro craque. Aí entra o empresário e o processo se acelera. A globalização chegou cedo ao futebol no Brasil. A demanda pelos nossos jogadores é planetária e a remuneração compensadora.
6. Nos demais segmentos do mercado de trabalho não existe nada disso. Nem mesmo nas funções estratégicas, monopólio da classe média. As vocações vão surgindo e se colocando aleatoriamente, sem planejamento, estímulos ou incentivos da sociedade e das autoridades constituídas. Como no voleibol da minha adolescência. Uma lástima !
7. C laro que o Brasil seria outro País se para todos os setores da vida nacional procurássemos talentos como no voleibol – pelo planejamento - ou como no futebol – pela convergência da vontade coletiva. Mas a condição sine qua non para isso acontecer seria pela universalização de uma educação de qualidade ! Não se reconhece e revela talentos em uma escola deficiente, com gestão displicente e professores desmotivados.
8. O futebol, com toda razão, é visto pelas famílias mais pobres de nosso País como um dos poucos canais promissores de ascenção social no Brasil – talvez o único. E estão certíssimas! Não será com uma educação pública tão fraca como a nossa, de qualidade em certos casos até vergonhosa, que as crianças e adolescentes pobres construirão para si um futuro promissor. Só por exceção, para justificar a triste regra. Para as famílias brasileiras, em geral, a educação não é relevante, não é o caminho para o sucesso. Estão certíssimas !
9. O Brasil será potência mundial, plenamente desenvolvida e com um povo feliz, com boa qualidade de vida, quando todos os segmentos empresariais e governamentais estiverem mobilizados para descobrir precocemente os futuros grandes cientistas, profissionais, tecnólogos e professores – os agentes promotores do progresso humano e material.
10. Sem a busca incessante do talento, do seu aproveitamento pleno e do reconhecimento do mérito, obedecendo às forças do mercado, seremos sempre o “País do Futuro”.
11. Osmarina Silva era uma jovem acreana analfabeta que frequentava a classe do MOBRAL. Após três meses de curso, sua alfabetizadora – seguindo a orientação do treinamento recebido e percebendo o talento daquela aluna – encaminhou-a imediatamente para o Curso de Educação Integrada (um primário compactado), embora a alfabetização durasse 5 meses. Talvez por esse estímulo, a moça galgou rapidamente a escala educacional e hoje é a Senadora Marina Silva, do PT do Acre, ex-Ministra do Meio Ambiente. Aquela modesta alfabetizadora mudou seu destino, graças à sua perspicácia e ao treinamento recebido no MOBRAL – o primeiro sistema de educação continuada implantado no Brasil, assim que esse conceito surgiu e se firmou no plano internacional.
Marcadores:
educação,
ESPORTE,
MOBILIZAÇÃO SOCIAL
7 de mai. de 2009
EDUCAÇÃO ENGANOSA
1. Nas últimas semanas encontrei-o várias vezes, durante minhas caminhadas diárias. Adolescente. Ponto da praia variável, mas o resto sempre igual: mochila jogada na areia, calças arregaçadas e o olhar atento, acompanhando as ondas varrendo a areia. De quando em vez uma corridinha curta e uma abaixada rápida. Em seguida, mão no bolso e um sorriso; às vezes, um ar de decepção. Não resisti à curiosidade e abordei-o. Aluno da segunda série do ensino médio de um colégio público estadual. Cata moedas na praia quando os professores faltam à aula. E faltam demais...Há dias em que consegue uns dois reais; em outros, nem uma moedinha...Mas vale a pena, pois é provável que o professor da próxima aula também não apareça. Seus colegas ficam na escola até a hora da merenda e depois vão embora...Aula de Física ainda não tiveram neste nem no ano passado. Matemática, o professor apareceu duas vezes até agora. Soei um pouco falso ao aconselhá-lo a esquecer a praia e voltar à escola, “pois seu futuro depende da educação que receba ao longo da vida.”
Nossa escola é mais importante como restaurante popular do que como provedora do alimento do espírito. Enquanto nossos jovens preferirem as moedinhas mais do que incertas às aulas, mesmo que duvidosas, o Brasil continuará adormecido.
2. Essa escola pública brasileira, com falta crônica de professores de Física, Química e Matemática, precisa da reserva de cotas na Universidade para não ser obrigada a resolver seus problemas reais. Agora, o MEC fala em Reforma do Ensino Médio, com a adoção do conceito de ”núcleos centrais” (matemáticas, linguagens e ciências humanas, ciências físicas e biológicas) em substituição às doze disciplinas tradicionais. Mas não será apenas mais um “jeitinho” brasileiro, para driblar o não cumprimento da grade curricular e a incapacidade de eliminar a escassez de professores, que assim serão substituídos pelos companheiros do mesmo núcleo ?
3. Dirigindo o MOBRAL resolvi, certa vez, percorrer um eixo rodoviário qualquer, sem aviso, para ver como o órgão estava funcionando no campo. Viajei com meu Chefe de Gabinete, Marcos Candau, subindo a BR-101 na Veraneio dirigida pelo Sr. Nelson, nosso competente motorista e amigo leal. Atravessamos o Estado do Rio de Janeiro e entramos pelo Espírito Santo, pegando aleatoriamente as vicinais para chegar aos Municípíos, parando e observando as atividades da instituição. Em Mimoso do Sul, procuramos a Supervisora de Área para obter as informações pertinentes. Ela nos levou à sua casa para conversarmos e - muito hospitaleira – gentilmente nos ofereceu a especialidade de sua mãe: um delicioso licor de jenipapo que logo chegou à sala em uma garrafa de Coca-Cola litro. Marcos Candau, um diplomata nato, com passagens pela FAO em Roma e Bogotá, bebeu com cara de angelical felicidade e elogiou fortemente as virtudes da poção, como bom Chefe de Gabinete. Deparando com aquele líquido oleoso, deixei o cálice atrás da minha pasta e o esqueci. A Supervisora era brilhante, bem treinada pela equipe da Ely Schultz e dedicada ao trabalho – o MOBRAL ia muito bem em Mimoso do Sul. Mas eu decepcionei. Após as despedidas, o cálice que jazia atrás da poltrona não escapou ao olhar atento do irmãozinho da Supervisora que, em sua inocência implacável, gritou em alto e bom som, quando eu saía de fininho: “olha lá, ele não bebeu o licor!” Não tive saída: de um gole cumpri meu dever. Logo eu, abstêmio convicto, agora absolvido pelos cientistas que descobriram a explicação para meu sofrimento com o álcool (nas variantes dos genes ADH2 e ALDH2). A “gozação” do Marcos Candau e aquele gosto adocicado me perseguiram pelo resto do dia...
Nossa escola é mais importante como restaurante popular do que como provedora do alimento do espírito. Enquanto nossos jovens preferirem as moedinhas mais do que incertas às aulas, mesmo que duvidosas, o Brasil continuará adormecido.
2. Essa escola pública brasileira, com falta crônica de professores de Física, Química e Matemática, precisa da reserva de cotas na Universidade para não ser obrigada a resolver seus problemas reais. Agora, o MEC fala em Reforma do Ensino Médio, com a adoção do conceito de ”núcleos centrais” (matemáticas, linguagens e ciências humanas, ciências físicas e biológicas) em substituição às doze disciplinas tradicionais. Mas não será apenas mais um “jeitinho” brasileiro, para driblar o não cumprimento da grade curricular e a incapacidade de eliminar a escassez de professores, que assim serão substituídos pelos companheiros do mesmo núcleo ?
3. Dirigindo o MOBRAL resolvi, certa vez, percorrer um eixo rodoviário qualquer, sem aviso, para ver como o órgão estava funcionando no campo. Viajei com meu Chefe de Gabinete, Marcos Candau, subindo a BR-101 na Veraneio dirigida pelo Sr. Nelson, nosso competente motorista e amigo leal. Atravessamos o Estado do Rio de Janeiro e entramos pelo Espírito Santo, pegando aleatoriamente as vicinais para chegar aos Municípíos, parando e observando as atividades da instituição. Em Mimoso do Sul, procuramos a Supervisora de Área para obter as informações pertinentes. Ela nos levou à sua casa para conversarmos e - muito hospitaleira – gentilmente nos ofereceu a especialidade de sua mãe: um delicioso licor de jenipapo que logo chegou à sala em uma garrafa de Coca-Cola litro. Marcos Candau, um diplomata nato, com passagens pela FAO em Roma e Bogotá, bebeu com cara de angelical felicidade e elogiou fortemente as virtudes da poção, como bom Chefe de Gabinete. Deparando com aquele líquido oleoso, deixei o cálice atrás da minha pasta e o esqueci. A Supervisora era brilhante, bem treinada pela equipe da Ely Schultz e dedicada ao trabalho – o MOBRAL ia muito bem em Mimoso do Sul. Mas eu decepcionei. Após as despedidas, o cálice que jazia atrás da poltrona não escapou ao olhar atento do irmãozinho da Supervisora que, em sua inocência implacável, gritou em alto e bom som, quando eu saía de fininho: “olha lá, ele não bebeu o licor!” Não tive saída: de um gole cumpri meu dever. Logo eu, abstêmio convicto, agora absolvido pelos cientistas que descobriram a explicação para meu sofrimento com o álcool (nas variantes dos genes ADH2 e ALDH2). A “gozação” do Marcos Candau e aquele gosto adocicado me perseguiram pelo resto do dia...
Assinar:
Postagens (Atom)
