1. BALANÇO MINIMALISTA DE 2009 – Inflação Anual = 4,31% (IPCA) Exportações = US$ 153 bilhões; Importações = US$ 128 bilhões; Saldo Comercial = US$ 25 bilhões Variação anual do PIB = menos 0,2% (estimativa) Empregos Formais Criados no ano = 995 mil; População Total do Brasil em 31/12/2009 = 192.277.000
2. OS DOIS RITUAIS DE SEMPRE – Na meninice, em meados da década dos 40, eu brincava muito no primeiro quarteirão da Rua Barão da Torre, entre Jangadeiros e Teixeira de Melo, porque lá morava meu primo José Paes. Naquela época ainda não existia a Rua Antonio Parreiras, aberta muitos anos mais tarde para a construção do Hospital de Ipanema. A ampla casa da Rua Barão da Torre esquina com Teixeira de Melo era motivo de curiosidade permanente. Bonita, misteriosa, guardada por um lindo e bravio cão pastor alemão, seu dono era um estrangeiro (diziam) que nunca viamos. Certa manhã chuvosa de verão, a surpresa: a casa fora soterrada por toneladas de barro, lixo, árvores e arbustos que deslizaram do Morro do Cantagalo, já ocupado por uma favela incipiente. Morreram o morador misterioso e seu cão. Tempos depois acabaram de demolir a casa, retiraram o entulho e aquele espaço foi destinado às manobras de retorno do Bonde 14 (General Osório) que vinha de Copacabana, pela Rua Visconde de Pirajá e entrava na Rua Teixeira de Melo para retornar em direção a Copacabana e Botafogo. Passaram-se muitas décadas e os desastres se repetiram a cada verão, sistematicamente. Há dias, 65 anos depois do episódio de minha infância, a favela da Pavão-Pavãozinho despejou toneladas de seus detritos sobre os prédios da Rua Djalma Ulrich. O relevo do Estado do Rio de Janeiro é repleto de morros, geralmente de gnaisse e granito, recobertos de terrenos argilosos, instáveis e que não resistem ao encharcamento. Por outro lado a pluviosidade é intensa. Chegada a época das chuvas, das enchentes, das quedas de barrancos e das muitas mortes consequentes fazemos resignadamente a contabilidade do desastre e mesmo sabendo que no próximo ano tudo se repetirá, nada será providenciado... Que tal se as autoridades - pelo menos - removessem (e definitivamente não deixassem mais construir) imóveis que estão na parte superior ou no sopé de taludes íngremes, assim como os que estão na beira de rios, córregos e canais ? Isso, para começar uma política – séria, sem demagogia - de combate à favelização, à metástase urbana que acomete a maioria de nossas cidades e infelicita as pobres famílias que pagam com a vida o preço de nossa irresponsabilidade e de sua falta de informação. O fim de ano, com as lindas festas que o acompanham, poderia ser um período de esperança, de planos para o futuro, de alegria. Mas não no Rio...Porque é também a época de um ritual macabro, em que cinicamente culpamos os elementos naturais pelos crimes cometidos por todos aqueles que usam sua influência para permitir (a seus futuros eleitores) que construam no lugar proibido, sob as vistas grossas, complacentes e criminosas das chamadas “autoridades responsáveis” (sic).
3. VOLEIBOL VITORIOSO - Mais um ano de ouro para o voleibol brasileiro que "ganhou tudo" no plano internacional, no masculino e no feminino, na quadra e nas praias. Atletas, técnicos e auxiliares, a CBV, seu Presidente Ary Graça e equipe, estão todos de parabéns por manter o Brasil como grande potência nesse esporte fortemente competitivo.
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3 de jan. de 2010
1 de set. de 2009
50 ANOS DEPOIS DO PAN DE CHICAGO
1. Setembro de 1959 – Cinquentenário do PAN de CHICAGO
· Tudo que eu queria naquele momento era alcançar o ônibus que nos levaria de volta à Universidade de Chicago - onde estávamos hospedados – e descansar... Eu o achei logo, estacionado em frente aos portões do Ginásio Desportivo do PROVISO High School, onde acabáramos de jogar a Final de Voleibol Masculino dos III JOGOS PAN-AMERICANOS de Chicago, perdendo na “negra” para a Seleção dos Estados Unidos. Talvez por causa da inesperada derrota para o Uruguai na COPA DO MUNDO DE FUTEBOL de 1950, medalha de prata era sinônimo de fracasso na distorcida cultura esportiva brasileira...
· Corpo moído, tiritando de frio, cabeça “a mil”, deitei-me no último banco. É difícil aceitar uma derrota assim, quando se tem 22 anos. Lá fora, a temperatura do verão de Chicago devia ser 35 graus centígrados, mas alguém me tocou e disse que eu estava com quase 40 de febre. Coisas do meu temperamento de jovem, mutável em poucos segundos. Febre nervosa, passageira. Incapacidade de entender que vitória e derrota são consequências naturais de viver e lutar. Esquecendo que no esporte, do lado adversário, existem pessoas que querem exatamente o mesmo que você. E que Medalha de Prata Pan-Americana era um privilégio... nunca uma vergonha...
· É tempo de lembrar meus bons companheiros de jornada, com muita saudade: os mineiros Urbano (falecido), Décio e Silvério; os paulistas Álvaro e Joel; os cariocas Atila , Roque, Quaresma, Sérgio Barcelos, Coqueiro, Alexandre Studart (falecido). Enfatizando que para todos nós, atletas amadores, defender a camisa brasileira era a glória suprema da carreira esportiva.
· Na final do Voleibol Feminino, disputada entre os mesmos protagonistas, as moças brasileiras venceram categoricamente as norte-americanas e conquistaram a medalha de ouro que nós, do masculino, comemoramos como nossas. As heroínas, com todas as honras, foram: as mineiras Lia de Freitas e Martha Miraglia; as paulistas Vera Trezoitko e Iriana; as cariocas Lílian Poetzcher, Norma Vaz, Lúcia Mendes de Moraes, Ingeborg Crause, Marina Celistre (falecida), Hilda Lassen, Maria Alice Ricciardi e Rosa Maria O`Shea (falecida).
· Disputada entre 27 de agosto e 7 de setembro de 1959, há exatamente 50 anos, a modalidade de voleibol dos Jogos Pan-Americanos tinha assim sua hegemonia dividida entre Brasil e Estados Unidos, com a vantagem de que arrancáramos esse “empate” no território norteamericano, com uma estrutura mínima de apoio: o Chefe da Delegação era José Gil Carneiro de Mendonça e os técnicos, com responsabilidade sobre as duas equipes, foram Samy Melinski e Adolpho Guilherme.
2. O que eu via naquela tarde, até então, como “a derrota da minha vida”, transformou-se com o tempo em uma recordação maravilhosa, sempre evocando episódios ricos em experiência e emoção. E foi importante para a evolução do nosso voleibol...
· Embora naquele momento a conquista de uma medalha de ouro e outra de prata no voleibol marcasse a melhor performance brasileira a nível internacional, tratava-se de um passo adiante em uma evolução iniciada desde quando nosso esporte assumiu um cunho mais popular no País. Portanto, neste momento de comemorar, tenho que agradecer – e muito – a todos aqueles que incentivaram, praticaram, dirigiram, treinaram equipes e apitaram voleibol antes que chegassse a minha vez. Sem esse trabalho anterior eu não estaria em Chicago, não teria minha medalha de prata, não viveria uma das grandes emoções de minha vida. As pessoas têm muita dificuldade de entender o desenrolar dos processos históricos, os conceitos de evolução e involução, as incongruências entre o dinâmico e instantâneo. Meus companheiros de Chicago e eu, temos muito do que nos orgulhar - pois colocamos nosso modesto tijolinho na construção dessa potência voleibolista que aí está - mas também devemos louvar e agradecer aos que nos precederam e tornaram viável nossa conquista.
· Pena que não possamos reunir o grupo remanescente de Chicago para comemorar a efeméride, pois muitos de nós não nos vemos há décadas e o reencontro talvez jamais se concretize. Mas estamos juntos de coração, sempre e para sempre, no amor ao voleibol e às cores brasileiras.
3. Mais um recorde alcançado pelo Brasil: é o primeiro colocado em mortes causadas pela Nova Gripe. Nunca antes na história deste País passamos os Estados Unidos com tanta facilidade...Foi só restringir a entrega do TAMIFLU (mesmo que vencido) e proibir sua venda, para alcançarmos a liderança. Creio que se o Brasil quisesse efetivamente ter um balanço dessa tragédia, dever-se-ia fazer uma pesquisa para saber quantas, dessas pessoas mortas pela H1N1, tomaram TAMIFLU (mesmo vencido) nas 48 primeiras horas depois de mostrar sintomas de gripe.
4. Quaisquer que sejam as cores desses cartões que os senadores mostram uns aos outros, nas austeras sessões do Congresso, uma coisa posso garantir: são cartões de crédito para eles e de débito para nós...
· Tudo que eu queria naquele momento era alcançar o ônibus que nos levaria de volta à Universidade de Chicago - onde estávamos hospedados – e descansar... Eu o achei logo, estacionado em frente aos portões do Ginásio Desportivo do PROVISO High School, onde acabáramos de jogar a Final de Voleibol Masculino dos III JOGOS PAN-AMERICANOS de Chicago, perdendo na “negra” para a Seleção dos Estados Unidos. Talvez por causa da inesperada derrota para o Uruguai na COPA DO MUNDO DE FUTEBOL de 1950, medalha de prata era sinônimo de fracasso na distorcida cultura esportiva brasileira...
· Corpo moído, tiritando de frio, cabeça “a mil”, deitei-me no último banco. É difícil aceitar uma derrota assim, quando se tem 22 anos. Lá fora, a temperatura do verão de Chicago devia ser 35 graus centígrados, mas alguém me tocou e disse que eu estava com quase 40 de febre. Coisas do meu temperamento de jovem, mutável em poucos segundos. Febre nervosa, passageira. Incapacidade de entender que vitória e derrota são consequências naturais de viver e lutar. Esquecendo que no esporte, do lado adversário, existem pessoas que querem exatamente o mesmo que você. E que Medalha de Prata Pan-Americana era um privilégio... nunca uma vergonha...
· É tempo de lembrar meus bons companheiros de jornada, com muita saudade: os mineiros Urbano (falecido), Décio e Silvério; os paulistas Álvaro e Joel; os cariocas Atila , Roque, Quaresma, Sérgio Barcelos, Coqueiro, Alexandre Studart (falecido). Enfatizando que para todos nós, atletas amadores, defender a camisa brasileira era a glória suprema da carreira esportiva.
· Na final do Voleibol Feminino, disputada entre os mesmos protagonistas, as moças brasileiras venceram categoricamente as norte-americanas e conquistaram a medalha de ouro que nós, do masculino, comemoramos como nossas. As heroínas, com todas as honras, foram: as mineiras Lia de Freitas e Martha Miraglia; as paulistas Vera Trezoitko e Iriana; as cariocas Lílian Poetzcher, Norma Vaz, Lúcia Mendes de Moraes, Ingeborg Crause, Marina Celistre (falecida), Hilda Lassen, Maria Alice Ricciardi e Rosa Maria O`Shea (falecida).
· Disputada entre 27 de agosto e 7 de setembro de 1959, há exatamente 50 anos, a modalidade de voleibol dos Jogos Pan-Americanos tinha assim sua hegemonia dividida entre Brasil e Estados Unidos, com a vantagem de que arrancáramos esse “empate” no território norteamericano, com uma estrutura mínima de apoio: o Chefe da Delegação era José Gil Carneiro de Mendonça e os técnicos, com responsabilidade sobre as duas equipes, foram Samy Melinski e Adolpho Guilherme.
2. O que eu via naquela tarde, até então, como “a derrota da minha vida”, transformou-se com o tempo em uma recordação maravilhosa, sempre evocando episódios ricos em experiência e emoção. E foi importante para a evolução do nosso voleibol...
· Embora naquele momento a conquista de uma medalha de ouro e outra de prata no voleibol marcasse a melhor performance brasileira a nível internacional, tratava-se de um passo adiante em uma evolução iniciada desde quando nosso esporte assumiu um cunho mais popular no País. Portanto, neste momento de comemorar, tenho que agradecer – e muito – a todos aqueles que incentivaram, praticaram, dirigiram, treinaram equipes e apitaram voleibol antes que chegassse a minha vez. Sem esse trabalho anterior eu não estaria em Chicago, não teria minha medalha de prata, não viveria uma das grandes emoções de minha vida. As pessoas têm muita dificuldade de entender o desenrolar dos processos históricos, os conceitos de evolução e involução, as incongruências entre o dinâmico e instantâneo. Meus companheiros de Chicago e eu, temos muito do que nos orgulhar - pois colocamos nosso modesto tijolinho na construção dessa potência voleibolista que aí está - mas também devemos louvar e agradecer aos que nos precederam e tornaram viável nossa conquista.
· Pena que não possamos reunir o grupo remanescente de Chicago para comemorar a efeméride, pois muitos de nós não nos vemos há décadas e o reencontro talvez jamais se concretize. Mas estamos juntos de coração, sempre e para sempre, no amor ao voleibol e às cores brasileiras.
3. Mais um recorde alcançado pelo Brasil: é o primeiro colocado em mortes causadas pela Nova Gripe. Nunca antes na história deste País passamos os Estados Unidos com tanta facilidade...Foi só restringir a entrega do TAMIFLU (mesmo que vencido) e proibir sua venda, para alcançarmos a liderança. Creio que se o Brasil quisesse efetivamente ter um balanço dessa tragédia, dever-se-ia fazer uma pesquisa para saber quantas, dessas pessoas mortas pela H1N1, tomaram TAMIFLU (mesmo vencido) nas 48 primeiras horas depois de mostrar sintomas de gripe.
4. Quaisquer que sejam as cores desses cartões que os senadores mostram uns aos outros, nas austeras sessões do Congresso, uma coisa posso garantir: são cartões de crédito para eles e de débito para nós...
26 de mai. de 2009
BRASIL NÃO SABE VOTAR
1. O Governo brasileiro está apoiando, na eleição para Diretor-Geral da UNESCO, um egípcio que “queimaria os livros judaicos”. A UNESCO, agência especializada da ONU para Educação, Ciência e Cultura deve ser necessariamente dirigida por um humanista que cultive a tolerância, a solidariedade entre os povos e ame a paz. Felizmente, há uma outra candidatura, surgida espontaneamente, do atual Diretor-Geral-Adjunto da UNESCO, o brasileiro Marcio Barbosa. Infelizmente o Governo brasileiro nega-se a apoiá-la. Uma ofensa ao bom-senso.
2. Em 1953 o Governo brasileiro declarou apoio a um candidato indiano na eleição para a escolha do Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), sediada em Genebra. O médico brasileiro Marcolino Candau, extremamente competente, era, à época, Assistente do Diretor-Geral da Organização Panamericana de Saúde (PAHO) em Washington e gozava de grande prestígio internacional. A candidatura do Dr. Candau à OMS foi surgindo naturalmente, por força de suas incontestáveis qualidades, com o apoio da PAHO, dirigida por um canadense. Mas nosso Governo fez pé firme, expedindo ordens ao representante brasileiro na OMS – o Dr. Maneco Ferreira – para que votasse no candidato da Índia. Maneco Ferreira, corajosamente, “não recebeu a tempo as ordens do Itamaraty” e votou em Marcolino Candau. O brasileiro dirigiu a OMS durante 20 anos, sendo reeleito três vezes. Como seria bom se Maneco Ferreira estivesse vivo e pudesse votar em Márcio Barbosa para dirigir a UNESCO.
3. A gestão do Dr. Marcolino Candau na OMS foi extremamente proveitosa para o Brasil. Sua presença naquele posto era motivo de grande prestígio internacional para o nosso País. Em sua administração, cercou-se de uma geração de brilhantes sanitaristas brasileiros, como Ernani Braga, Oswaldo Costa e o próprio Maneco Ferreira, entre outros, que fizeram o Brasil dar um salto de qualidade nesse setor.
4. O Dr. Candau, generosamente, também deu sua colaboração voluntária ao MOBRAL, embora isso nunca tenha sido divulgado ao grande público: o conteúdo do Programa de Educação Comunitária para a Saúde (PES) do MOBRAL, antes de seu lançamento, foi enviado ao Dr. Marcolino Candau na OMS para receber sua crítica e sugestões. Com esse honroso e competente aval, o PES - muito bem gerenciado por Miriam Backeuser e depois Gerson Noronha - atendeu a centenas de milhares de brasileiros na década dos 70 e 80. Dentre as realizações no âmbito desse programa, além da parte educativa teórica, destacaram-se a implantação de milhares de fossas sépticas, hortas comunitárias e pequenas redes de abastecimento de água; o treinamento de parteiras; a motivação e qualificação da população carente para criar pequenos animais e cultivar plantas medicinais para sua subsistência.
5. O Conselho Federal de Educação Física e suas Regionais lançaram a campanha “2009 – Ano da Educação Física Escolar”. Campanha meritória, pois avolumam-se as evidências científicas do notável papel da atividade física na saúde e bem-estar da mente e do corpo. Quando fui membro do Conselho Federal de Educação regulamentei a obrigatoriedade da prática da Educação Física no sistema de ensino do País e cada vez tenho mais orgulho dessa minha contribuição, na qual contei com a assessoria competente do especialista Lamartine Pereira da Costa, auxiliado pelo Professor José Garcez Ballarini, ambos levados por mim para o IPEA para elaborar o I Diagnóstico da Educação Física e do Esporte no Brasil.
6. O problema, porém, está nas realizações práticas no sentido de tornar a Campanha vitoriosa. A esse respeito, ilustro meus temores com um exemplo que conheço bem. Não preciso argumentar para afirmar que o voleibol, atualmente, é o segundo esporte mais popular em nosso País. Obviamente, a garotada brasileira adoraria ter a oportunidade de praticar o voleibol na escola desde cedo. Pois bem, essa possibilidade existe: há anos Roberto Pimentel – um craque excepcional de voleibol nos anos 60 - tenta convencer os sistemas municipais e estaduais a adotar o minivoleibol, do qual ele foi pioneiro no Brasil. O esporte é igual ao voleibol, pode ser jogado em todas as escolas (pois ocupa uma área exígua), o equipamento é barato e a prática é accessível a crianças do ensino fundamental. Pimentel, afora pequenas realizações, especialmente em Niterói, onde mora, não tem encontrado receptividade, apesar de incansável na busca de realizar seu sonho. Acho que nossas autoridades educacionais ainda não entenderam o papel do esporte e temo que a Campanha esbarre nessa inexplicável má vontade. Quem quiser conhecer o trabalho de Roberto Pimentel acesse por favor http://users.urbi.com.br/pimentel/mini.htm
2. Em 1953 o Governo brasileiro declarou apoio a um candidato indiano na eleição para a escolha do Diretor-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), sediada em Genebra. O médico brasileiro Marcolino Candau, extremamente competente, era, à época, Assistente do Diretor-Geral da Organização Panamericana de Saúde (PAHO) em Washington e gozava de grande prestígio internacional. A candidatura do Dr. Candau à OMS foi surgindo naturalmente, por força de suas incontestáveis qualidades, com o apoio da PAHO, dirigida por um canadense. Mas nosso Governo fez pé firme, expedindo ordens ao representante brasileiro na OMS – o Dr. Maneco Ferreira – para que votasse no candidato da Índia. Maneco Ferreira, corajosamente, “não recebeu a tempo as ordens do Itamaraty” e votou em Marcolino Candau. O brasileiro dirigiu a OMS durante 20 anos, sendo reeleito três vezes. Como seria bom se Maneco Ferreira estivesse vivo e pudesse votar em Márcio Barbosa para dirigir a UNESCO.
3. A gestão do Dr. Marcolino Candau na OMS foi extremamente proveitosa para o Brasil. Sua presença naquele posto era motivo de grande prestígio internacional para o nosso País. Em sua administração, cercou-se de uma geração de brilhantes sanitaristas brasileiros, como Ernani Braga, Oswaldo Costa e o próprio Maneco Ferreira, entre outros, que fizeram o Brasil dar um salto de qualidade nesse setor.
4. O Dr. Candau, generosamente, também deu sua colaboração voluntária ao MOBRAL, embora isso nunca tenha sido divulgado ao grande público: o conteúdo do Programa de Educação Comunitária para a Saúde (PES) do MOBRAL, antes de seu lançamento, foi enviado ao Dr. Marcolino Candau na OMS para receber sua crítica e sugestões. Com esse honroso e competente aval, o PES - muito bem gerenciado por Miriam Backeuser e depois Gerson Noronha - atendeu a centenas de milhares de brasileiros na década dos 70 e 80. Dentre as realizações no âmbito desse programa, além da parte educativa teórica, destacaram-se a implantação de milhares de fossas sépticas, hortas comunitárias e pequenas redes de abastecimento de água; o treinamento de parteiras; a motivação e qualificação da população carente para criar pequenos animais e cultivar plantas medicinais para sua subsistência.
5. O Conselho Federal de Educação Física e suas Regionais lançaram a campanha “2009 – Ano da Educação Física Escolar”. Campanha meritória, pois avolumam-se as evidências científicas do notável papel da atividade física na saúde e bem-estar da mente e do corpo. Quando fui membro do Conselho Federal de Educação regulamentei a obrigatoriedade da prática da Educação Física no sistema de ensino do País e cada vez tenho mais orgulho dessa minha contribuição, na qual contei com a assessoria competente do especialista Lamartine Pereira da Costa, auxiliado pelo Professor José Garcez Ballarini, ambos levados por mim para o IPEA para elaborar o I Diagnóstico da Educação Física e do Esporte no Brasil.
6. O problema, porém, está nas realizações práticas no sentido de tornar a Campanha vitoriosa. A esse respeito, ilustro meus temores com um exemplo que conheço bem. Não preciso argumentar para afirmar que o voleibol, atualmente, é o segundo esporte mais popular em nosso País. Obviamente, a garotada brasileira adoraria ter a oportunidade de praticar o voleibol na escola desde cedo. Pois bem, essa possibilidade existe: há anos Roberto Pimentel – um craque excepcional de voleibol nos anos 60 - tenta convencer os sistemas municipais e estaduais a adotar o minivoleibol, do qual ele foi pioneiro no Brasil. O esporte é igual ao voleibol, pode ser jogado em todas as escolas (pois ocupa uma área exígua), o equipamento é barato e a prática é accessível a crianças do ensino fundamental. Pimentel, afora pequenas realizações, especialmente em Niterói, onde mora, não tem encontrado receptividade, apesar de incansável na busca de realizar seu sonho. Acho que nossas autoridades educacionais ainda não entenderam o papel do esporte e temo que a Campanha esbarre nessa inexplicável má vontade. Quem quiser conhecer o trabalho de Roberto Pimentel acesse por favor http://users.urbi.com.br/pimentel/mini.htm
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