1. GUERRA INJUSTA - Ronaldo Ferreira Gomes, morador veterano de Ipanema, trouxe-me à lembrança um episódio muito marcante, ocorrido em nosso bairro durante a II Guerra Mundial. Éramos ainda crianças e naquele dia nos assustamos com o barulho, a gritaria e o movimento inusitado na rua. Vândalos extremistas promoviam o “quebra-quebra” das casas de comércio que pertenciam a imigrantes de países integrantes do “Eixo” (Alemanha, Itália e Japão). Lembro-me bem que meu pai ficou muito entristecido com a destruição do Restaurante Renânia, pertencente a um amigo (o pai da bela Cristina que estudava no Fontainha) e situado no mesmo quarteirão de seu Café e Bar Ipanema (lado par da Visconde de Pirajá, em frente à Praça General Osório). Os baderneiros atacaram igualmente os restaurantes Zeppelin (do lado ímpar da Visconde de Pirajá, entre Garcia d`Ávila e Aníbal de Mendonça) e o Shangri-lá (na Lagoa Rodrigo de Freitas, perto da Montenegro), todos de alemães. Tinturarias de japoneses, bancas de jornal e oficinas de sapateiros pertencentes a modestos italianos também sofreram atentados. A comunidade de Ipanema não aceitou essa covardia contra pessoas trabalhadoras e indefesas, totalmente alheias à política internacional e prestou sua solidariedade aos agredidos. No bairro viviam muitos imigrantes estrangeiros, de várias nacionalidades e credos, sempre em perfeita harmonia, diversos deles ligados por fortes amizades. Em minha casa, por exemplo, havia uma “roda de pôquer” todas as noites, de amigos que formavam uma pacífica Liga das Nações: brasileiros como o potiguar Dr. Álvaro Borges, funcionário da Casa da Moeda; vários portugueses como meu pai Antonio Lopes Corrêa e os senhores Marques e Jucundino (ambos mestres de obras), Paulinho e Príncipe (ambos proprietários de açougues); libaneses como o senhor Nagib, comerciante; japoneses, como o Sr. Nakamura, dono da Tinturaria da Visconde Pirajá; o querido Sr. Adolfo, judeu polonês, que depois de desquitado foi morar em minha casa e era dono da sapataria Renomé; o senhor Gardon, espanhol, dono do Hotel Soto e assim por diante. As escaramuças ocorreram em todo Brasil e muitos estrangeiros foram maltratados e prejudicados. Depois de algum tempo, cessaram os distúrbios, voltou a paz e todos puderam continuar suas vidas. O Renânia ficou no mesmo lugar mas mudou o nome para Jangadeiros e anos depois se instalou na Teixeira de Melo. O Shangri-lá virou Bar Lagoa e continuou à sombra dos belos flamboyants da Rodrigo de Freitas - mas parece que foi a partir daquele dia que seus velhos garçons ficaram mal-humorados para sempre. Vocês sabiam ?
2. CRISE E MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO – Foi terrível o resultado do mercado de trabalho formal em 2009, quando geramos 995 mil empregos em todo ano e precisaríamos de pelo menos 1.600.000 novos postos. Foi o pior resultado desde 2003. Em 2008, já com crise, geramos 1.452.000 empregos, 46% mais que em 2009. Desse modo, muitos jovens que chegaram à idade de trabalhar esbarraram em mais esse obstáculo e caíram no desemprego ou tiveram que se conformar com algum biscate no mercado informal, sem carteira assinada e com salários baixos. Prejudicados por uma educação básica de má qualidade, à qual se seguem cursos de qualificação profissional muito curtos, onde aprendem apenas um arremedo de profissão, tiveram também contra si um mercado de trabalho limitado pelos reflexos da crise internacional e alguns problemas na condução de nossa economia. Dezembro foi pior do que a mais pessimista das previsões. Segundo o CAGED, do Ministério do Trabalho, o Brasil perdeu 415 mil empregos só naquele mês. Considerando que há otimismo em relação à performance econômica do País para 2010, com previsão de 5,2% de crescimento do PIB, conclui-se que o lamentável resultado terá derivado da cautela dos empresários diante do novo salário mínimo, cujos aumentos repetidamente acima da inflação são criticados pelos analistas. Muitas demissões teriam sido preventivas, para que as empresas não assumissem, já agora, compromissos para janeiro de 2010 – mês da revisão salarial – antes de avaliar exatamente como será o novo ano. E talvez janeiro continue adverso, porque os primeiros resultados do nosso comércio externo apontam para uma crescente perda de competitividade internacional em produtos importantes. Ao elevado custo-Brasil, resultado de burocracia excessiva e deficiências de nossa infraestrutura logística, acrescentou-se nos últimos anos um salário-mínimo irrealista. Nosso Governo talvez tenha perdido a noção de limites. O recente Decreto dos Direitos Humanos é prova dessa insensibilidade e pode custar caro nas eleições, pois assustou setores importantes da opinião pública. É claro que se faz um marketing maravilhoso ao fixar o salário mínimo próximo dos 300 dólares mensais, principalmente porque FHC penou, penou e não conseguiu passar dos 100 dólares por mês. O problema é saber se a economia aguenta e se os patrões podem ou estão dispostos a pagá-lo. Talvez tenhamos chegado a essa situação-limite e como o Ministério do Trabalho, neste ano eleitoral, costuma afrouxar a fiscalização em cima da informalidade, estamos diante de uma situação muito difícil, que vai acarretar níveis altos de subemprego. 3.TRABALHADOR PERDE NO FGTS E FAT – A Caixa Econômica, responsável pela administração do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), confirmou que pelo segundo ano consecutivo de sua gestão, o dinheiro do trabalhador depositado no FGTS perdeu poder de compra. Nossas contas tiveram remuneração de 3,9% em 2009, enquanto a inflação oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegou a 4,3%. O rendimento real foi negativo e o patrimônio pertencente aos trabalhadores brasileiros e ali depositado diminuiu em 0,4%. O mesmo já acontecera em 2008, quando o Fundo rendeu 4,5% e o IPCA atingiu 5,9%, havendo perda real de 1,4% no saldo, sem que qualquer providência fosse tomada. Também o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), gerenciado pelo Ministério do Trabalho, teve deficit em 2009. O Governo, em relação ao trabalhador brasileiro, dá com uma das mãos e tira com a outra. Cede um pouco, ostensivamente, com banda de música. Mas tira sorrateiramente, oculto na penumbra de regras que o “povão” só perceberá na hora da aposentadoria, quando já será tarde demais.
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21 de jan. de 2010
18 de dez. de 2009
EMPREGO, EOLO, DOPING, UPP, VARGENS
1. CAGED - Em novembro de 2009 foram gerados 246.695 empregos formais no Brasil e o acumulado do ano chegou a 1.410.000. Esse resultado fica 30% abaixo dos 2.107.000 postos de trabalho conseguidos em 2008 para igual período. Como dezembro é um mês em que o setor produtivo perde empregos, o ano de 2009 fechará com saldo de 1,1 a 1,2 milhão, resultado pior que em 2008. Deve-se lembrar que o Brasil deveria criar anualmente 1,8 milhão de empregos para os jovens que chegam ao mercado de trabalho. Notícia ruim, também, é que a Indústria de Transformação não manteve a reação esperada e de janeiro a novembro de 2009 criou apenas 177 mil postos de trabalho contra 452 mil em igual período em 2008. Tal fato indica que o PIB de 2009 deve diminuir quase 0,5% e nossa renda per capita cairá 2%, o que não é nada desprezível. Ficamos mais pobres mesmo pegando só a “marolinha” da crise mundial.
2. VAMOS CHAMAR O VENTO... – Harald Hellmuth escreveu-me festejando o sucesso do leilão da energia eólica brasileira e lembrando “que as usinas hidrelétricas não conseguem aproveitar integralmente a capacidade instalada durante o ano todo, devido à variação da vazão dos cursos d'água. Assim, geração eólica e hidrelétrica são complementares. E há mais vento quando as vazões hídricas são menores ! Portanto, além de somar-se à oferta de energia, as turbinas eólicas contribuirão para reduzir as variações de oferta. O impacto ambiental deve ser o mais baixo de todas as fontes, ao lado da co-geração com biomassa, como se pratica nas usinas de açúcar e álcool e nas indústrias de papel e celulose. Nos Estados Unidos, como na China e na Alemanha já existem capacidades instaladas de energia eólica de 30.000 MW, que estão substituindo usinas a carvão. Diante do potencial eólico brasileiro de 140.000 MW, seu status atual como energia apenas de reserva deverá ser superado. Além disso, como não haverá disponibilidade fabril no exterior para suprir toda a demanda global por turbinas eólicas, a fabricação no Brasil é necessária, existindo mesmo certa margem para exportação. Com a acumulação de experiência e maior escala, os custos tenderão a baixar. As instalações de pás nas regiões marítimas têm custo mais alto, mas também maior produção. Incentivos à geração eólica poderiam amenizar as desigualdades regionais, favorecendo áreas deprimidas do Nordeste.” HARALD HELLMUTH
3. DOPING - Os dopantes mais potentes usados no desporto têm margens de detecção muito curtas. Estão nesse caso a eritropoietina (EPO), a testosterona e o hormônio de crescimento (hGH). Por esse motivo, quanto mais testes anti-doping forem realizados fora das competições, mais eficaz será a detecção do doping. A aleatoriedade dos testes tira a margem de manobra dos atletas que usam o doping e de seu pessoal de apoio. As estatísticas comprovam essa realidade. Doping é crime e pode matar o atleta e o esporte !
4. O CUSTO DAS FAVELAS – Notícias sobre o mercado imobiliário dão conta de uma grande valorização recente dos imóveis nas Capitais do Rio de Janeiro e São Paulo. Creio que esses dados estão muito influenciados pelos avanços feitos no campo da segurança. Em São Paulo, ultimamente, os índices gerais de criminalidade caíram muito. No Rio, depois da implementação do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), áreas que haviam se desvalorizado pela proximidade com favelas estão se revalorizando. Embora não se saiba ainda em que medida serão recuperados os antigos valores dos imóveis no entorno das favelas em que o tráfico está sendo expulso, a revalorização começa de imediato. Meus colegas engenheiros que fazem avaliações estão tendo mais trabalho, porque os paradigmas do mercado imobiliário foram quebrados no Rio de Janeiro. Os agentes econômicos tomam suas decisões com base em três atributos inerentes aos diferentes investimentos: segurança, liquidez e rentabilidade. O imóvel é tradicionalmente uma opção de baixa rentabilidade, liquidez média e segurança elevada. No Rio de Janeiro a metástase urbana, causada pela expansão das favelas, seu surgimento repentino em pontos inesperados e até recentemente sem repressão, retirou do investimento imobiliário essa sua característica mais apreciada: a segurança.
5. VENEZA CARIOCA - O Prefeito Eduardo Paes tem, neste momento, uma grande oportunidade de evitar que uma linda área do Rio de Janeiro sofra um colapso semelhante ao que está ocorrendo no Jardim Pantanal da Capital paulista. A enorme população daquela região paulistana, ao lado do Rio Tietê, está literalmente submersa há vários dias e o problema parece irreversível. O Prefeito do Rio tem em suas mãos o PEU aprovado na Câmara dos Vereadores para Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena, permitindo que os bairros sejam efetivamente urbanizados, de acordo com conceitos modernos e que evitarão as enchentes que a favelização da região determinará forçosamente se não for detida a tempo. As Vargens podem ser o Pantanal Carioca ou a Veneza Carioca - o Prefeito vai escolher !
2. VAMOS CHAMAR O VENTO... – Harald Hellmuth escreveu-me festejando o sucesso do leilão da energia eólica brasileira e lembrando “que as usinas hidrelétricas não conseguem aproveitar integralmente a capacidade instalada durante o ano todo, devido à variação da vazão dos cursos d'água. Assim, geração eólica e hidrelétrica são complementares. E há mais vento quando as vazões hídricas são menores ! Portanto, além de somar-se à oferta de energia, as turbinas eólicas contribuirão para reduzir as variações de oferta. O impacto ambiental deve ser o mais baixo de todas as fontes, ao lado da co-geração com biomassa, como se pratica nas usinas de açúcar e álcool e nas indústrias de papel e celulose. Nos Estados Unidos, como na China e na Alemanha já existem capacidades instaladas de energia eólica de 30.000 MW, que estão substituindo usinas a carvão. Diante do potencial eólico brasileiro de 140.000 MW, seu status atual como energia apenas de reserva deverá ser superado. Além disso, como não haverá disponibilidade fabril no exterior para suprir toda a demanda global por turbinas eólicas, a fabricação no Brasil é necessária, existindo mesmo certa margem para exportação. Com a acumulação de experiência e maior escala, os custos tenderão a baixar. As instalações de pás nas regiões marítimas têm custo mais alto, mas também maior produção. Incentivos à geração eólica poderiam amenizar as desigualdades regionais, favorecendo áreas deprimidas do Nordeste.” HARALD HELLMUTH
3. DOPING - Os dopantes mais potentes usados no desporto têm margens de detecção muito curtas. Estão nesse caso a eritropoietina (EPO), a testosterona e o hormônio de crescimento (hGH). Por esse motivo, quanto mais testes anti-doping forem realizados fora das competições, mais eficaz será a detecção do doping. A aleatoriedade dos testes tira a margem de manobra dos atletas que usam o doping e de seu pessoal de apoio. As estatísticas comprovam essa realidade. Doping é crime e pode matar o atleta e o esporte !
4. O CUSTO DAS FAVELAS – Notícias sobre o mercado imobiliário dão conta de uma grande valorização recente dos imóveis nas Capitais do Rio de Janeiro e São Paulo. Creio que esses dados estão muito influenciados pelos avanços feitos no campo da segurança. Em São Paulo, ultimamente, os índices gerais de criminalidade caíram muito. No Rio, depois da implementação do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), áreas que haviam se desvalorizado pela proximidade com favelas estão se revalorizando. Embora não se saiba ainda em que medida serão recuperados os antigos valores dos imóveis no entorno das favelas em que o tráfico está sendo expulso, a revalorização começa de imediato. Meus colegas engenheiros que fazem avaliações estão tendo mais trabalho, porque os paradigmas do mercado imobiliário foram quebrados no Rio de Janeiro. Os agentes econômicos tomam suas decisões com base em três atributos inerentes aos diferentes investimentos: segurança, liquidez e rentabilidade. O imóvel é tradicionalmente uma opção de baixa rentabilidade, liquidez média e segurança elevada. No Rio de Janeiro a metástase urbana, causada pela expansão das favelas, seu surgimento repentino em pontos inesperados e até recentemente sem repressão, retirou do investimento imobiliário essa sua característica mais apreciada: a segurança.
5. VENEZA CARIOCA - O Prefeito Eduardo Paes tem, neste momento, uma grande oportunidade de evitar que uma linda área do Rio de Janeiro sofra um colapso semelhante ao que está ocorrendo no Jardim Pantanal da Capital paulista. A enorme população daquela região paulistana, ao lado do Rio Tietê, está literalmente submersa há vários dias e o problema parece irreversível. O Prefeito do Rio tem em suas mãos o PEU aprovado na Câmara dos Vereadores para Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena, permitindo que os bairros sejam efetivamente urbanizados, de acordo com conceitos modernos e que evitarão as enchentes que a favelização da região determinará forçosamente se não for detida a tempo. As Vargens podem ser o Pantanal Carioca ou a Veneza Carioca - o Prefeito vai escolher !
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27 de jun. de 2009
RELEASE OFICIAL NÃO CRIA EMPREGO
« Mentez, mentez…il en restera toujours quelque chose ».
VOLTAIRE
1. Seguindo a orientação geral, o Ministério do Trabalho “comemorou” a criação de 131.557 empregos com carteira assinada no Brasil em maio de 2009. Número muito abaixo das necessidades nacionais e dos resultados históricos. Em maio de 2008 haviam sido gerados 202.984 postos de trabalho – 50% mais do que agora. Somando os primeiros cinco meses de 2009, foram criados apenas 180.011 empregos formais enquanto em igual período de 2008 haviam sido gerados 1.051.316. Uma diferença de 870 mil vagas que deveriam ser aproveitadas pelos nossos jovens que chegam ao mercado de trabalho e aqueles que perderam o emprego recentemente. Só em novembro e dezembro de 2008 e janeiro de 2009 cerca de 800 mil pessoas com carteira assinada foram vítimadas pela desocupação impiedosa.
2. O quadro estatístico levantado pelo IBGE através de sua Pesquisa Mensal de Emprego (PME) nas seis principais Regiões Metropolitanas, com desemprego de 8,8% em maio de 2009, não altera o panorama. Além disso, apurou queda dos rendimentos do trabalho da população ocupada. A inadimplência, por outro lado, está em alta no Brasil. As famílias já devem 35% de suas rendas. O estímulo exagerado ao endividamento para o consumo pode resultar em mais uma “bolha” problemática para o futuro.
3.A crise anda por toda parte, no campo e na cidade, embora seja mais aguda e preocupante na Indústria – o motor do desenvolvimento brasileiro, cujo emprego caiu 4,4% no primeiro quadrimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado.
4..A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, afirma o IBGE, diminuirá para 135,0 milhões de toneladas em 2009 ficando 7,5% menor que a colhida em 2008 (146,0 milhões de toneladas). Menos emprego e renda, portanto.
5.Quanto ao nosso comércio exterior, até a terceira semana de junho, caiu muito o movimento geral de exportações mais importações. Havia sido de US$ 160 bilhões em 2008 e baixou para US$ 117 bilhões este ano, para o mesmo período. O mundo está comprando e vendendo menos e o Brasil não foge à regra.
6. O Banco Mundial prevê que a economia brasileira sofrerá queda de 1,1% neste ano. A OECD é menos pessimista e projeta queda de 0,8% no PIB brasileiro de 2009. O Brasil se sairá melhor que as nações desenvolvidas mas terá crescimento inferior ao dos demais países em desenvolvimento, a exemplo do que tem ocorrido sistematicamente nos últimos anos. E pior, nossa renda per capita cairá, pois o PIB crescerá menos do que a população. Em outras palavras: nosso povo empobrecerá.
7. O déficit primário de R$ 120,2 milhões em maio, (receitas menos despesas do governo, exceto os gastos com juros da dívida pública) não é nada bom. É imprescindível que o Governo reduza suas elevadas despesas correntes e invista esses recursos nos setores em que o Brasil tem ainda grandes oportunidades de geração de emprego a explorar.
8. Isso ocorre no programa de construção de habitações populares que deveria estar – mas não está - conjugado à implantação de infraestruturas de transporte de massa para nossas maiores cidades, de modo a deter a favelização e a metástase urbana que dela deriva e que políticos hipócritas negaram durante décadas, levando-nos à atual situação de calamidade.
9. Outro campo promissor nas cidades populosas é a reciclagem, poupadora de recursos naturais e geradora de ocupação e renda para uma camada pobre da população. A reciclagem deveria ser alvo de mais pesquisa nas maiores Universidades brasileiras e de incentivo federal.
10. Na zona rural, as culturas que - além da cana - produzem matérias-primas para a fabricação de biocombustíveis têm grande futuro econômico e podem elevar a renda de famílias residentes em áreas hoje deprimidas.
11. Quando dirigi (de 1965 a 1972) o Centro Nacional de Recursos Humanos (CNRH) do IPEA, trouxe do Labour Department norte-americano, através da USAID, para dar assistência técnica ao nosso Governo, o excelente profissional Allan E. Broehl. Especialista na área de trabalho, Allan implantou pelo CNRH a primeira Agência Pública de Emprego moderna do País, na região do ABC, origem do atual Sistema Nacional de Emprego (SINE). Além disso, elaborou vários estudos importantes sobre emprego, estatísticas do trabalho e temas correlatos. Um exemplo de assistência técnica internacional bem sucedida.
12. Dando prosseguimento àquela experiência pioneira do IPEA, o MOBRAL instalou 830 Balcões de Emprego na década dos 70, aproveitando a capacidade executiva da sua Gerência de Profissionalização (GEPRO), competentemente dirigida pela saudosa Lena Chaves e sua auxiliar Márcia Gatass (que tocava o projeto dos Balcões). Desse modo foi possível dar milhares de oportunidades de ingresso no mercado de trabalho àqueles que se alfabetizavam ou concluíam a Educação Integrada (equivalente ao antigo Primário) ou algum curso de qualificação profissional.
VOLTAIRE
1. Seguindo a orientação geral, o Ministério do Trabalho “comemorou” a criação de 131.557 empregos com carteira assinada no Brasil em maio de 2009. Número muito abaixo das necessidades nacionais e dos resultados históricos. Em maio de 2008 haviam sido gerados 202.984 postos de trabalho – 50% mais do que agora. Somando os primeiros cinco meses de 2009, foram criados apenas 180.011 empregos formais enquanto em igual período de 2008 haviam sido gerados 1.051.316. Uma diferença de 870 mil vagas que deveriam ser aproveitadas pelos nossos jovens que chegam ao mercado de trabalho e aqueles que perderam o emprego recentemente. Só em novembro e dezembro de 2008 e janeiro de 2009 cerca de 800 mil pessoas com carteira assinada foram vítimadas pela desocupação impiedosa.
2. O quadro estatístico levantado pelo IBGE através de sua Pesquisa Mensal de Emprego (PME) nas seis principais Regiões Metropolitanas, com desemprego de 8,8% em maio de 2009, não altera o panorama. Além disso, apurou queda dos rendimentos do trabalho da população ocupada. A inadimplência, por outro lado, está em alta no Brasil. As famílias já devem 35% de suas rendas. O estímulo exagerado ao endividamento para o consumo pode resultar em mais uma “bolha” problemática para o futuro.
3.A crise anda por toda parte, no campo e na cidade, embora seja mais aguda e preocupante na Indústria – o motor do desenvolvimento brasileiro, cujo emprego caiu 4,4% no primeiro quadrimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado.
4..A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, afirma o IBGE, diminuirá para 135,0 milhões de toneladas em 2009 ficando 7,5% menor que a colhida em 2008 (146,0 milhões de toneladas). Menos emprego e renda, portanto.
5.Quanto ao nosso comércio exterior, até a terceira semana de junho, caiu muito o movimento geral de exportações mais importações. Havia sido de US$ 160 bilhões em 2008 e baixou para US$ 117 bilhões este ano, para o mesmo período. O mundo está comprando e vendendo menos e o Brasil não foge à regra.
6. O Banco Mundial prevê que a economia brasileira sofrerá queda de 1,1% neste ano. A OECD é menos pessimista e projeta queda de 0,8% no PIB brasileiro de 2009. O Brasil se sairá melhor que as nações desenvolvidas mas terá crescimento inferior ao dos demais países em desenvolvimento, a exemplo do que tem ocorrido sistematicamente nos últimos anos. E pior, nossa renda per capita cairá, pois o PIB crescerá menos do que a população. Em outras palavras: nosso povo empobrecerá.
7. O déficit primário de R$ 120,2 milhões em maio, (receitas menos despesas do governo, exceto os gastos com juros da dívida pública) não é nada bom. É imprescindível que o Governo reduza suas elevadas despesas correntes e invista esses recursos nos setores em que o Brasil tem ainda grandes oportunidades de geração de emprego a explorar.
8. Isso ocorre no programa de construção de habitações populares que deveria estar – mas não está - conjugado à implantação de infraestruturas de transporte de massa para nossas maiores cidades, de modo a deter a favelização e a metástase urbana que dela deriva e que políticos hipócritas negaram durante décadas, levando-nos à atual situação de calamidade.
9. Outro campo promissor nas cidades populosas é a reciclagem, poupadora de recursos naturais e geradora de ocupação e renda para uma camada pobre da população. A reciclagem deveria ser alvo de mais pesquisa nas maiores Universidades brasileiras e de incentivo federal.
10. Na zona rural, as culturas que - além da cana - produzem matérias-primas para a fabricação de biocombustíveis têm grande futuro econômico e podem elevar a renda de famílias residentes em áreas hoje deprimidas.
11. Quando dirigi (de 1965 a 1972) o Centro Nacional de Recursos Humanos (CNRH) do IPEA, trouxe do Labour Department norte-americano, através da USAID, para dar assistência técnica ao nosso Governo, o excelente profissional Allan E. Broehl. Especialista na área de trabalho, Allan implantou pelo CNRH a primeira Agência Pública de Emprego moderna do País, na região do ABC, origem do atual Sistema Nacional de Emprego (SINE). Além disso, elaborou vários estudos importantes sobre emprego, estatísticas do trabalho e temas correlatos. Um exemplo de assistência técnica internacional bem sucedida.
12. Dando prosseguimento àquela experiência pioneira do IPEA, o MOBRAL instalou 830 Balcões de Emprego na década dos 70, aproveitando a capacidade executiva da sua Gerência de Profissionalização (GEPRO), competentemente dirigida pela saudosa Lena Chaves e sua auxiliar Márcia Gatass (que tocava o projeto dos Balcões). Desse modo foi possível dar milhares de oportunidades de ingresso no mercado de trabalho àqueles que se alfabetizavam ou concluíam a Educação Integrada (equivalente ao antigo Primário) ou algum curso de qualificação profissional.
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