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21 de dez. de 2009

Mídia Amestrada, Avaliações Imobiliárias e Pensões Miseráveis

1. GANHANDO NA MANCHETE – Quantas e quão ricas lições podemos extrair da observação de nossa mídia ! Durante 5 anos mantive uma coluna sobre voleibol, aos domingos, no “CORREIO DA MANHÔ. Não ganhava nada, era jogador do Fluminense e escrevia por amor ao voleibol e à verdade, produto que era muito escasso no setor. Mas aprendi muita coisa interessante, nas entranhas da redação e das rotativas. Semana passada deparei com a estrondosa manchete de primeira página, na edição dominical de um típico jornal do Brasil atual: “BANDA LARGA CRESCE 75%”. Logo abaixo fica-se sabendo que isso ocorreu no breve intervalo de três anos, entre 2005 e 2008. Fenomenal, vitória nacional, ponto para o Governo Lula ! – pensei de imediato. Vai–se ler a matéria e a constatação é de que, em verdade, houve uma melhoria pífia nos nossos ridículos índices digitais. A percentagem de computadores do País com esse acesso mais civilizado era de 20% do total e passou a 35%. Saímos do quarto mundo e adentramos vitoriosos o terceiro mundo. Só isso. Mas quais os significados dessa singela manchete ? - “Tá tudo dominado !”
2. O PODER DAS MASMORRAS - Qualquer ofício tem seus truques - é claro – e a maioria pode servir tanto a Deus quanto ao Diabo. O artifício jornalístico descrito acima chamava-se outrora “ganhar na manchete”. Frutificou na ditadura de Vargas e era muito praticado pelos militantes comunistas nos momentos de maior repressão. O Partidão, na ilegalidade, tinha muitos adeptos nas máquinas e naquela época, para acertar a paginação, otimizar os espaços disponíveis, muitas manchetes eram colocadas nas oficinas, já no momento de rodar o jornal. Caso o articulista ou repórter escrevesse matéria de interesse da “célula vermelha” local, lançava-se mão do “mancheteiro” providencial que lá nas oficinas usava sua criatividade à larga e podia até distorcer totalmente e contradizer a notícia. Partia-se do pressuposto – correto até hoje – que a maioria dos leitores só olha as manchetes. Mais recentemente, os computadores acabaram com a festa e aquela manchete cabulosa só pode ser obra da redação ou da própria direção. Esse mesmo jornal manifestara, há alguns meses, a disposição de vender seus ativos. A partir daí suas edições foram ficando “magrinhas”, anêmicas mesmo e seus conteúdos cada vez “circulares”, aquele tipo de matéria sem rumo definido, que não diz nada, o que antecipa mudança de orientação política. A seguir, a publicidade voltou a “pintar” e as verbas vão chover grosso na horta do plutocrata jornalístico ! Ponto para os Goebbels de plantão... Mais um que está “dominado” ! Daqui a pouco só restará a Internet aos homens livres para que manifestem suas ideias...
3. SÓ PARA ENGENHEIROS – Leitores perguntam sobre a avaliação de imóveis. Os três métodos mais comuns são: A) Método da Reposição ou Reprodução, no qual se calcula quanto seria necessário gastar para construir um imóvel igual ao avaliado, efetuando-se a seguir a diminuição de uma depreciação que é função da idade do imóvel e de outros fatores construtivos como o estado de conservação. O problema é que com a metástase urbana sobreveio um tipo adicional de depreciação, com grande volatilidade e de difícil mensuração, envolvendo fatores psico-sociais – sensação de insegurança, temor da violência, deterioração das posturas urbanas (camelôs, população de rua, vias usadas como dormitórios e banheiros etc). B) outro é o Método da Renda, que avalia o imóvel conforme a receita que é capaz de gerar, a partir do retorno dado pelo seu aluguel. Esse método também não se aplica mais universalmente, pois o valor potencial do aluguel não é um dado suficiente para definir a renda obtida no médio e longo prazo. Em áreas conflagradas, a rotatividade e inadimplência dos inquilinos são elevadíssimas (os imóveis ficam vagos por longos períodos, obrigando proprietários ao pagamento dos tributos e encargos condominiais). O rendimento é incerto. C) O terceiro é o Método Comparativo, em que o valor do imóvel é obtido cotejando-se suas características com as de outros similares que estão sendo negociados no mercado. Os dados daí derivados não permitem uma avaliação perfeita do imóvel que esteja imerso em um ambiente de violência urbana. É preciso acompanhar as oscilações dos valores de mercado ao longo dos últimos anos e, o que é mais difícil, conhecer sua sensibilidade (em outras palavras: sua desvalorização) a eventos de violência ocorridos na sua área de influência. Aferida essa sensibilidade (à bala perdida que mata/fere o transeunte ou o morador; ao assalto ao idoso; ao latrocínio; aos enfrentamentos entre traficantes e policiais etc) é indispensável usar o cálculo de probabilidades para saber com que freqüência se deve esperar que esses eventos venham a repetir-se no futuro, desvalorizando progressivamente o imóvel. Nada simples... 4. APOSENTADOS AO MAR – Aposentado do INSS em janeiro de 2000, minha pensão subiu apenas 99,66% desde então, enquanto o salário mínimo subiu 241,91% no mesmo período. Em outras palavras, ganho hoje 58% do que seria justo – pouco mais que a metade. Mas agora vem a eleição e Lula vai enganar os velhinhos, dizendo que nos dará 6% de aumento, uma porcentagem maravilhosa, maior que a inflação ! Acontece que o salário mínimo vai subir 9% ou 10%, aumentando a defasagem. Nessa hora os sindicalistas - defensores dos trabalhadores, lembram ? - se calam, porque o deles está garantido... Nivelar por baixo é o lema do Governo Lula... Menos para a turma do PT, todos ganhando 10, 12 ou 14 mil reais por mês com os impostos suados que nós pagamos.